Mar de sensações

Tudo começou em 2004 com Samwaad – Rua do Encontro. Algumas boas críticas nos levaram até o Sesc Belenzinho para conferir o que o Ivaldo Bertazzo tinha aprontado. Saímos de lá bobos com o que vimos, um espetáculo de inspiração indiana, em que os dançarinos eram jovens de periferia, recrutados e treinados pelo Bertazzo. Uma beleza.

Depois veio o Milágrimas, com base na dança e canto africanos, delícia de espetáculo. Com esse histórico, quando soubemos que estava em cartaz o Mar de Gente, não tivemos dúvidas e compramos os ingressos.

A dança é para mim um tipo de arte em que não é necessária muita elocubração para sentir e gostar (ou não). Passa pela intuição, direto ao espírito, e nem tanto pelo intelecto ou razão. Apesar disso, o espetáculo apresenta muitas referências e um enredo para reflexão sobre a humanidade e seus caminhos futuros.

São abordados temas diversos, como a evolução humana, o viver em sociedade, as festas e as guerras, a sedução e o lado sombrio, a espiritualidade. Esta última abre e fecha o espetáculo: o início lembra devotos em Varanasi, com as escadarias do cenário representando os ghats (na minha interpretação…), e o final também tem origem oriental, mas não vou estragar a surpresa para quem pensa em ver o espetáculo. Só digo que é lindo.

Apesar das referências orientais, as músicas são inspiradas na Europa Oriental: Hungria, Bulgária, Rússia, música cigana. As trilhas-sonoras são sempre um show à parte…

O projeto de Bertazzo funciona melhor ainda nas coreografias coletivas, onde se consegue o efeito do grupo como unidade: é hipnotizante (vale recordar a ‘cobra’, de Samwaad, para quem viu). Mas os jovens são muito talentosos e é difícil saber para onde olhar nas coreografias individuais, quando todos estão no palco.

Esse é a primeira montagem profissional desses jovens, dando seqüência ao projeto Dança-Comunidade, nascido da parceria de Bertazzo com o Sesc. Eu, se fosse você, iria ver rapidinho…as últimas apresentações serão de 20 a 23 de setembro, no Auditório Ibirapuera.

Longa vida à companhia e a esses encantadores dançarinos…

(Fotos de divulgação do espetáculo.)

Preparativos para a ilha…

O primeiro passo foi escolher a pousada e acabei ficando com uma das três opções que o Ricardo sugeriu no seu post no Viaje na Viagem (ver post anterior): a Pousada Santa Clara.

Eu já tinha gostado das fotos do lugar, achei que tinha um astral bacana. Depois, ao fazer as cotações, descobri que era o melhor custo-benefício e, além disso, o atendimento feito pelo dono, o Charles, foi uma simpatia.

Só faltava descobrir como…chegar lá. As opções eram muitas: ferry-ônibus (ou táxi)-barco (rápido ou lento), avião até Morro-transfer, catamarã até morro-dormir-transfer, avião fretado direto e várias outras combinações de meio de transporte. Complexo…

Descartei as opções que passavam por Morro, pois não queria dormir lá uma noite ou acordar cedo e me apressar para o aeroporto. O fretado direto para Boipeba foi descartado por razões óbvias – R$ 4.000,00 está bom para você? :roll:

Combinei então o transfer com a pousada: eu pegaria o ferry até Itaparica (Bom Despacho) e lá pegaria o ônibus para Graciosa, um vilarejo um pouco abaixo de Valença. Ali eu pegaria um barquinho rápido até a ilha.

(mapa do site www.ilhaboipeba.org.br)

Apesar de parecer um pouco trabalhosa, a ida foi bem tranqüila.  Já dentro do ferry comprei a passagem para Graciosa, pela Viação Cidade Sol. Os horários combinam com a chegada do ferry a Bom Despacho: é descer de um e subir no outro.

O pessoal da pousada sugeriu um táxi, caso não quisesse tomar o ônibus de linha, mas é muito, muito mais barato e também divertido: ele faz algumas paradas no meio do caminho e é sempre bacana de ver a movimentação dos passageiros, dos vendedores que sobem até o ônibus…

Ao chegar a Graciosa, o Silvinho, dono do barco, já estava me esperando para a parte final da viagem, que iria durar cerca de 50 minutos. A paisagem dos canais é linda: mangue e mais mangue, numa super tranqüilidade que já me fazia imaginar o que eu iria encontrar na ilha.

Pouco tempo depois de partirmos, passamos ao lado da ilha de Cairu, sede do município e onde vemos duas bonitas construções coloniais: o Convento de Santo Antônio e a Igreja de Nossa Senhora da Luz.

 

Infelizmente os horários, tanto da ida, como da volta, não me deixaram parar um pouco em Cairu…fica para um próxima vez.

Já bem relaxada depois do trajeto, com direito a muitas garças e um belo fim de dia, cheguei a Boipeba, na praia da Boca da Barra.

Pude ver a pousada um pouco melhor no outro dia…e era o que eu estava esperando: é simples, bem de acordo com o espírito do lugar, e muito charmosa. Em cada canto que você olha, você vê o capricho e o bom gosto com que tudo foi feito: o jardim impecável, cheio de pequenas esculturas, os mosaicos por toda parte, flores frescas em todos os lugares…

Fiquei com o chalé chamado de ‘casa da árvore’, pequeno e simpático, um banheiro em baixo e o quarto em cima e uma varanda.

Das janelas do quarto se via o jardim tropical…

 

…e um pouco do mar (é, vocês já viram esta foto em algum post antes :-D ).

Para melhorar, a pousada tem um restaurante delicioso, onde o irmão do Charles, o Mark, prepara comidinhas deliciosas. Eu comi lá na primeira noite e gostei tanto que acabei jantando todas as noites…O ambiente foi montado no meio do jardim, com muitas flores e boa música. O café da manhã também é muito bem feito, cheio de porções individuais (adoro isso!): panquecas, paçoca de côco, batata rösti, além de suco de fruta fresca, pães feitos em casa e outras cositas…

Deu para perceber que eu gostei do lugar, não? ;-)

PS: Para outras informações, o site da associação de moradores é bem completo.

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