O cartão-postal: Gruta do Lago Azul

Por acaso eu já tinha dito que Bonito tem muitas grutas e cavernas? Sim?

Ok, vamos a elas então. Mas não qualquer uma das cerca de 100 da região (alguns chegam a falar em 300…), mas a mais famosa, o cartão-postal da cidade, a primeira gruta figurante de novelas: a Gruta do Lago Azul.

Ela está localizada a cerca de 20 km da cidade de Bonito e o acesso é todo por estrada de terra, como grande parte dos deslocamentos. Mas as condições estavam muito boas, por estarmos no período de seca e a bordo de uma Ranger acostumada a trabalhar duro.

Foi o primeiro contato também com a paisagem ao redor da cidade. É uma mistura muito bonita de pastos com vegetação, em geral planície, com alguns pontos elevados. Muitos bacuris, uma palmeira comum na região e, para minha surpresa, emas!

Muito simpáticas, elas dão as caras em qualquer lugar, é muito fácil vê-las andando livres pelos pastos.

Na entrada da gruta, existe um pequeno receptivo, onde recebemos os capacetes (apenas para o caso de uma estalactite cair!  O que nunca aconteceu antes…). O acesso é muito fácil, uma trilha de menos de dez minutos. Mas, uma vez na boca da gruta, vemos que a descida é longa, muitos degraus e um pouco escorregadios. Mas nada muito difícil, junto com o nosso grupo havia uma família com 2 crianças, 5 e 6 anos, que tiraram de letra tanto a descida como a subida.

A sensação de entrar no ‘mundo subterrâneo’ é sempre muito bacana. A luz diminuindo, o cheiro de terra, o eco de vozes distantes…

Algo bem interessante na Gruta do Lago Azul é que você vê a caverna o tempo todo em formação: é só olhar para o lado e ver a água caindo e o chão esbranquiçado com o calcário se acumulando e subindo levemente para formar as estalagmites. Por isso, é importante seguir a orientação do guia e não ultrapassar as cordas que delimitam a descida: a idéia é evitar o tráfego de pessoas por vários pontos de formação e assim diminuir o impacto no ambiente.

A trilha tem muitos mirantes e você vê o lago de vários ângulos. Mas o impacto no último ponto, o mais próximo do lago, é muito impressionante.  O azul atordoa e dá vontade de mergulhar.

A caverna tem uma formação em diagonal, o que faz com o que lago se aprofunde bem mais do que o olho alcança, chegando, no seu ponto máximo, a cerca de 80m de profundidade. Se você prestar bem atenção, vai ouvir o barulho das gotas que caem das estalactites na água. A segunda foto do post anterior dá uma boa idéia da visão deste mirante.

Quem já esteve na Chapada Diamantina vai se lembrar da sensação de estar no Poço Encantado.

Depois de um tempo um pouco hipnotizados pelo lago e pelo ambiente, é hora de encarar a subida de volta.

Apresentando: Bonito

Os amigos que iam a Bonito voltavam falando maravilhas e também…que eu era uma pessoa que já deveria ter ido para lá.

Eles me conhecem: gosto de mato, água e uma certa aventurazinha. Mas eu achava que o lugar era um pouco fora de mão para ir em apenas um feriado de três ou quatro dias, então preferi ter um pouco mais de tempo nas mãos para ver tudo o que eu queria por lá.

A oportunidade apareceu na primeira semana de julho: nos planejamos e, um mês depois, estávamos a caminho de um dos destinos ecoturísticos mais famosos do Brasil. E, para ser sincera, essa qualificação me preocupava: como funcionava na prática a organização turística da cidade, totalmente diferente dos outros destinos natureza que eu já tinha visto no Brasil?

O município de Bonito fica na Serra da Bodoquena, um pouco abaixo do limite sul do Pantanal Mato-grossense, e tem uma particularidade: grande parte de sua estrutura geológica é de rocha calcária. Isto explica a grande quantidade de cavernas e grutas da região (o calcário é uma rocha macia, fácil de ser esculpida pelas águas), assim como os rios de água claríssima (o calcário filtra a água dos rios).

No início dos anos 90, o município foi descoberto como destino turístico e, com o crescimento do número de visitantes, surgiu a preocupação com a preservação do lugar, especialmente com as nascentes dos rios. A solução encontrada foi a seguinte: limitar a entrada de visitantes nas atrações (quase todas em propriedades particulares), condicionar as visitas à companhia de um guia credenciado e tabelar os preços dos passeios.

Hmmmm… eu já estava um pouco preparada para o que eu iria ver, mas ainda é mais organizado do que eu imaginava. Um pouco…engessado. Sem espaço para um momento a mais de relax naquele cantinho que você adorou.

Para quem está acostumado com lugares onde praticamente não existe estrutura, com pouca gente circulando e onde você faz o seu ritmo, mesmo com um guia, o esquema assusta. Sempre tem um grupo saindo da trilha e outro esperando logo atrás de você, o que pode dar a impressão de uma linha de produção.

O ponto positivo é justamente…ter estrutura. Os receptivos são confortáveis, com vestiários, restaurante, piscina e são úteis para quem vai com filhos. A agenda organizada dos visitantes e a presença dos guias ajuda a manter tudo organizado. Fica a dúvida sobre a quantidade de visitantes, mas todos os guias asseguram que foram feitos estudos de impacto na determinação do número máximo diário. Espero que sim.

E vamos ser justos: a região é realmente belíssima. Bichos silvestres são vistos com facilidade nas estradas, as cachoeiras são refrescantes e a flutuação é uma experiência necessária para quem é louco por água. Às vezes me lembro daqueles rios, os peixes nadando sossegadamente do meu lado e penso quando poderei voltar…

Está em dúvida se Bonito é o lugar para você? Não se decida ainda, não…espere as cenas dos próximos posts. :-D