Cachoeiras do Rio do Peixe: para refrescar a cabeça

No nosso quarto dia em Bonito resolvemos fazer algo diferente das flutuações e cavernas. Mas, considerando onde estávamos, não havia como escapar da água: seguimos para as Cachoeiras do Rio do Peixe, um lugar mais conhecido como a fazenda do seu Moacir.

Este passeio tinha sido bem recomendado pela quantidade de bichos que andam por lá, pela hospitalidade e pela ótima comida (não necessariamente nesta ordem ;-) ).

Quando chegamos na fazenda, já pudemos ver o seu Moacir recepcionando os visitantes do dia, no meio de suas araras ensinadas. Sim…elas abrem a torneira para se refrescar e não se incomodam com o toque dos visitantes. É uma bela visão ver tantas araras juntas: canindés, azuis, vermelhas…

Outras figurinhas que aparecem de mansinho são essas aqui: macacos-prego. Uma família inteira…

Seu Moacir adora contar ‘causos’ e histórias da fazenda e dos bichos. Depois de um bom bate-papo e canjica para dar energia, é hora de caminhar. Seguimos pela trilha margeando o rio Olaria e vendo algumas quedas aqui e ali.

Vamos até o ponto mais distante da trilha, onde o rio do Peixe nasce, dentro de uma gruta, e deságua num poço profundo. Há ali um trampolim para cair na água, com cerca de cinco metros de altura. Foi ali mesmo que pulamos.

Brrr…já dentro da água, estava em iminência de congelamento. Mas o ambiente todo era muito interessante e bonito para me preocupar com uma água fria qualquer. Quando temos oportunidade de ver um rio nascendo daquele jeito? Aproveitei para entrar na gruta e ver os salões, não sem uma certa dificuldade, já que a passagem era estreita. É possível ouvir o fluxo do rio dentro da terra. Fantástico.

A partir do poço, é só seguir nadando pelo rio, que desce através de vários desníveis.

Tudo é muito inspirador. Muita água e limpíssima, o sol batendo, as flores vermelhas que aparecem em todos os cantos, os sapinhos na beira do rio…

E o passeio continuou, com paradas para curtir outras cachoeiras…

 

…e os pássaros.

 

Depois de um tempo relaxando ao sol e nadando no último trecho do rio Olaria, já próximo da sede, estava na hora do almoço. Aliás, o melhor almoço de todos os passeios que fizemos: a esposa do seu Moacir coordena o fogão a lenha e ele próprio assa as carnes e lingüiças caseiras.

Quase todos morremos de tanto comer. A comida é deliciosa, sem contar a mesa de doces caseiros, com uns dez tipos à disposição dos glutões.

E depois…soneca no redário, com direito ao sonzinho do rio correndo ao lado.

Antes de visitar as outras cachoeiras, seu Moacir se aproxima com bananas: é hora de alimentar os macacos. A garotada fica quietinha, com as bananas nas mãos…esperando. Os macacos se aproximam, com todo o cuidado, e de repente pegam a fruta e saem correndo.

 

Eu não sabia do que eu ria mais: dos macacos ou da garotada rindo dos macacos :-D

Como era baixa temporada, havia poucas pessoas fazendo passeios independentes. Acabamos, então, sempre encontrando as mesmas duas ou três famílias nos passeios, com seus filhos. Pudemos observar os pequenos em todos e este é mais um dos passeios em que as crianças se viraram muito bem, o tempo inteiro se divertindo, sem problemas.

Acabamos colocando o pé na trilha de novo, mas, desanimados pelo frio da água (nem vou comentar o almoço e a rede), acabamos no esquema contemplação.

Estávamos moídos, mas contentes :-)

Dentro do Aquário

Seguindo o nosso roteiro planejado de flutuações, rumamos para a Reserva Ecológica Baía Bonita, mais conhecida como Aquário Natural. É um dos passeios mais próximos da cidade, sendo praticamente todo o trajeto feito por estrada asfaltada.

Além desta facilidade, o Aquário Natural é o passeio com receptivo mais bem-estruturado: duas piscinas, sendo uma infantil, deck para tomar um solzinho, vestiários grandes, restaurante. Tudo isso facilita a vida dos pais com filhos, que ainda contam com uma trilha para observação de animais para distrair a garotada. Mais um ponto: essa flutuação tem duração um pouco mais curta e coloca à disposição um barquinho para aqueles que se cansaram no meio do caminho, ou estão sentindo muito frio.

Para nós, no entanto, a característica mais importante do Aquário Natural é justamente o que justifica o seu nome: o fato de poder nadar na nascente do rio Baía Bonita. A melhor parte da flutuação é exatamente o seu começo: podemos ficar um tempo nadando nessa ‘piscina’, observando a grande quantidade de vegetação e os afloramentos da água, as chamadas ressurgências. É possível observar as ‘bolhas’ subindo a partir do leito calcário do rio.

O caminho pelo rio é bem tranqüilo, com correnteza leve, poucos obstáculos e água cristalina. Para quem tem a oportunidade de flutuar em Bonito pela primeira vez, essa é uma ótima opção.

 

No final do passeio, caminhamos atrávés da mata até um ponto em que o rio Baía Bonita deságua no Rio Formoso, formando uma série de pequenas quedas d’água. A água corre o tempo inteiro por baixo das passarelas de madeira que demarcam as trilhas e o barulho dela correndo é uma delícia.

Paramos em um ponto do rio onde se pode brincar num pula-pula ou cair na água em uma mini-tirolesa. Mas a melhor coisa é poder só nadar, boiar olhando a mata ao redor ou esfriar as idéias embaixo de uma das micro-cachoeiras.

Para ficar perfeito, eu ficaria nadando por muito mais tempo no rio e depois faria um belo piquenique na beira da água. Mas…o esquema tem que ser seguido e lá fomos nós de volta para o receptivo.

A volta, assim como a trilha da ida, passa por regiões alagadiças e acabamos fazendo uma parte da trilha dos animais que estava reservada para a tarde. A primeira parada é no lago dos jacarés.

Pelas passarelas é possível vê-los bem de perto, tomando sol. Logo após passamos, pela trilha suspensa, sobre o recinto da anta (que não vimos) e da capivara, uma fofa.

Após o almoço e um tempinho para descanso, continuamos na trilha, observando emas e cotias (de perto), tamanduás, cervos do pantanal e sucuris (de longe). Existe também algumas jaulas com animais selvagens recebidos para tratamento.

Era hora de voltar para a cidade, mas eu só pensava em voltar para o rio…

(As fotos do post foram feitas pelos fotógrafos do Aquário, que depois colocam os CDs com as imagens à venda.)