Você conhece alguém que não gosta de Paraty? Eu não.

IMG_0286a

Já perdi a conta de quantas vezes já estive lá e ainda não consigo enjoar. E duvido que isso aconteça um dia. Paraty é um daqueles lugares pelo qual você se apaixona à primeira vista: paixão avassaladora, da qual você não consegue tirar os olhos. Vocês conhecem a sensação…é assim que me sinto toda vez que estou lá. Uma excitação de estar ali de novo, e ao mesmo…um conforto como estar em casa.

Por isso não hesitei em seguir para lá na última Páscoa, com alguns amigos também fãs, com os quais já estive lá outras vezes. Dessa vez a idéia era fazer algumas coisas diferentes das últimas viagens, mas os meninos queriam mostrar para o resto da turma alguns lugares que eles gostam muito. Se para eles estava ok, para mim estava perfeito, então…descemos todos a serra, deixamos nossas malas no hotel e seguimos para a pousada Le Gite d’Indaiatiba.

img_0073a

Eu gosto sempre de ficar no centro histórico, mas se hospedar no Le Gite é uma experiência bem diferente: é optar por ficar no ‘sertão’, na Serra da Bocaina, com uma vista da baía de Paraty ao longe. O hotel é rodeado por uma linda área verde e é perfeito para quem quer sossego absoluto.

img_0075a

E o melhor é que dá para aproveitar a pousada mesmo sem se hospedar, pois seu restaurante, bastante premiado, é aberto ao público: muito peixe e frutos do mar num ambiente rústico e charmoso.

img_0076a1

Os donos da pousada são uma mineira e um francês, que decidiram fazer da serra a sua casa e receber muito bem seus hóspedes. Além de mimar com boa comida e papo, ainda podemos abusar da hospitalidade e nadar na bonita raia de água natural ou curtir a cachoeira que fica dentro da propriedade.

img_0098a

Pois é…o tempo não estava maravilhoso, como vocês podem perceber pelas fotos. Mas…como resistir a uma cachoeira, especialmente quando estava precisando urgentemente de uma para relaxar? (Para casos de stress, cansaço e derivados, dra. Emília prescreve: cachoeira já! ;-) )

Estava gelada, mas…ótima! Quase todos não resistiram ao apelo e pularam na água. Difícil entrar, sair…mais difícil ainda.

(Com mais tempo na cidade, vale a pena sair um pouco da beira-mar para conhecer as cachoeiras nos arredores: são várias no caminho para Cunha. Os nomes fogem à memória -  eu e meus amigos fizemos o circuito há uns 7 anos atrás… – mas me lembro bem da cachoeira do Tobogã. Muito cuidado com ela. Sério.)

Outro passeio clássico é ir até Trindade, antiga vila hippie que hoje é apenas…muvucada. O esquema ‘alternativo’ pode até não ser a sua praia, mas Cachadaço sim. Vale sair da cidade, dirigir um trecho da Rio-Santos, outra estradinha até a vila e ainda fazer uma trilha, para chegar até essa prainha que se parece mais com uma grande piscina, cheia de grandes pedras e peixinhos. Estar num dia de sol em Cachadaço é um grande prazer. Mas ficará ainda melhor se puder vir fora de feriados e ter um pouco mais de privacidade.

Dessa vez nada de Cachadaço, mas o destino era próximo: a praia do Sono.

img_0187a

Para chegar até ela, é preciso virar à esquerda um pouco antes da estradinha para Trindade, já tendo saído da Rio-Santos, seguir até o condomínio de Laranjeiras, deixar o carro e seguir por uma trilha por cerca de uma hora. A caminhada é bem tranqüila e já dá para receber a recompensa um pouco antes de chegar: a visão da praia do alto.

A praia é lindíssima, cheia de chapéus-de-sol em toda a extensão. É toda aninhada no colo da montanha e rodeada de muito verde. Apesar da grande ocupação de campings, a praia é limpa e tem siris de montão ;-)

img_0139a

Uma pena só que o tempo estivesse tão nublado…e com ressaca! Não pudemos curtir a praia como se deve, pois o mar estava muito perigoso…Caminhando pela praia, uma onda me pegou de surpresa e levou minhas havaianas… a sorte é que eu estava bem longe da arrebentação. Tudo bem…Iemanjá reclamou a oferenda :oops:

(Abaixo o resto do grupo andando despreocupadamente, ainda sem perceber a fúria marítima…)

img_0141a

Depois de descansar e comer, observamos o mar bravo e veio a constatação de que não daria para simplesmente estender a canga e relaxar. Resolvemos a vontade de entrar na água procurando uma queda d’água indicada pelo pessoal da vila. Bem, era mais um poço, mas bem agradável e suficiente para tirarmos a maresia do corpo, trazida pela ressaca.

img_0166a

A essa altura o sol já tinha saído timidamente, mas nada de banho de mar, as ondas continuavam fortes…

img_0177a

Dava vontade de ficar até o pôr-do-sol, sentados nas mesinhas sob as árvores, mas ainda tínhamos uma trilha pela frente…

img_0171a

A trilha para Antigos e Antiguinhos, duas praias lindas que queríamos ter visitado, ficou para uma próxima. Para chegar a elas é só cruzar a praia do Sono, subir e descer um morro. Ficamos só na vontade com a descrição dos meninos.

img_0186a

Contra todas as expectativas, foi realmente um lindo final de tarde…

IMG_0191a

…que não confirmou uma melhora do tempo no dia seguinte. Pelo menos a ressaca tinha acalmado e resolvemos fazer um passeio de barco. Mas nada de escuna, acabamos fechando um barquinho pequeno no cais para nós 6. Como já era domingo e mar ainda tinha um resto de ressaca, haviam vários há disposição, todos ligados à Associação de Barqueiros de Paraty, preço tabelado, mas nesse dia totalmente negociável.

IMG_0212a

Queríamos ir até a vila de Paraty-Mirim, chegando até o Saco do Mamanguá e mais, se possível. Mas o mar não estava totalmente sossegado para sairmos da baía e ficamos por perto mesmo. Fomos até a linda praia Vermelha, onde pudemos nadar e curtir um pouco, sem sinal de ressaca…

IMG_0206a

…a pequena e adorável praia da Lula, com direito à parada estratégica para água de côco…

IMG_0217a

…Saco da Velha e parada final da ilha do Algodão, para almoçar no Restaurante do Hiltinho: boa comida, ótimo ambiente e vista.

IMG_0222a

Na volta, a sempre aguardada visão do centro histórico: primeiro a visão da pequena igreja de Nossa Senhora das Dores, depois a Matriz e no final, a conhecidíssima Santa Rita.

IMG_0275a

Já era domingo e último dia…final de tarde é sempre uma hora mágica para andar pelo centro histórico: a luz do final do dia dá um ar melancólico e muito belo aos casarões. Bom é caminhar sem pressa, evitando a movimentação da rua do Comércio e da praça da Matriz, seguindo pelas ruas desertas mais próximas ao mar, onde as luzes começam a ser acesas…

_______
Outras viagens…

Paraty tem atrações para uma tonelada de visitas…Além das muitas possibilidades de passeios de barco (e que valem a pena pela linda paisagem de mata com mar verde), Trindade com suas praias e as cachoeiras (sobre as quais já comentei), vale comentar sobre o trekking de três dias percorrendo as praias da Ponta da Joatinga, acampando. Deve ser lindo, mas somente para os mais animados.

Outro atrativo da cidade é a sua concentração gastronômica. Além dos dois restaurantes citados aqui, podemos indicar o Merlin, o Mago e o Porto. Mas o melhor de todos, de longe, é o Banana da Terra, da chef Ana Bueno. Imperdível.