Cidade dos gênios

  

            Infelizmente não veria o monte Ararat (ou seria o Elbrus?) como da primeira vez: é inverno e o anoitecer precoce junto ao atraso no vôo me impedem de ver seu cume branco surgindo sobre as nuvens, pela janelinha do avião. Dentro de algumas horas estaríamos descendo em Delhi para comprovar que não havia sido um sonho e que de novo iríamos percorrer as grandes e arborizadas avenidas de Lutyens até o mesmo hotel onde nos hospedamos antes.

            A passagem pela cidade seria curta, mas a companhia a potencializaria: além de meu marido, companheiro incansável nas aventuras indianas, teria também uma nova visão sobre esta cidade da qual já tínhamos saudade, através das palavras de William Dalrymple no seu livro ‘City of Djinns’.

            Delhi é uma conhecida antiga de Dalrymple: tendo vivido lá várias vezes e tendo-a inclusive como sua atual moradia, seu olhar é certeiro, descrevendo o dia-a-dia dos delhiitas, profundo, ao pesquisar as encarnações da cidade e, acima de tudo, carinhoso e bem-humorado com suas experiências, uma mistura que é praxe em seus livros.

            Apesar de retratada freqüentemente com restrições (para falar o mínimo), Delhi nos encantou desde o primeiro momento, mesmo com a nuvem de poluição que envolvia as janelas do avião ao pousarmos – a gentileza dos que nos recepcionaram, a visão dos tuk-tuks e das luzes do Diwali, que perdemos por pouco. No dia seguinte, pássaros cantavam no jardim enquanto tomávamos café e logo em seguida Delhi iria começar a desfolhar suas camadas.

            A primeira que conhecemos foi a cidade muçulmana do século XII onde ainda está de pé hoje o formidável minarete de Qutb Minar, uma das mais antigas cidades-versão da Delhi atual.

            O terreno é extenso e as estruturas diversas: restos de palácios, uma madrassa, outro minarete, mas este inacabado. As colunas da mesquita abrigam delicadas esculturas com figuras humanas, impensáveis pelo islã, mas compreensíveis pelo fato de trabalhadores hindus terem se dedicado a tal trabalho.

            Neste anel em torno da capital haviam outras ruínas de Delhis passadas, como Siri, Tughlukabad, Feroz Shah Kotla e Purana Qila, esta uma visão impactante com seu sólido forte no alto e à beira de um lago, assentada sobre a primeira de todas as cidades: Indraprastha, a mítica cidade do Mahabharata.

            Mas a mais significativa versão de Delhi é Shajahanabad, a velha Delhi, capital mogol. Como o próprio nome diz, a sétima cidade foi criada por Shah Jahan depois de idealizar uma das mais belas expressões arquitetônicas do mundo, o Taj Mahal, e com a mudança de sua corte de Agra, no século XVII, Delhi se tornou o centro do império: o refinamento da cultura mogol atingiu sua melhor expressão aqui e a cidade se transformou num dos centros urbanos mais cosmopolitas da época.  Grandes mansões, as havelis, surgiram para abrigar a nobreza…

            …e a Jama Masjid, a maior mesquita da Índia, teve sua construção ordenada por ele, surgindo no centro da nova cidade. Ela se impõe aos edifícios menores ao seu redor, surgindo no alto das grandes escadarias rosadas, suas cúpulas-cebola como um contraponto harmonioso ao caos das ruas adjacentes.

 

            Chandni Chowk, a principal rua do comércio, segue sua vocação desde aquela época, além de acolher templos sikhs, hindus e jainistas em meio à confusão das lojas de roupas e badulaques e…

            …numa de suas pontas, mais um pedaço do mundo de Shah Jahan: seu palácio, o Forte Vermelho.

            Em nossa primeira vez na cidade, não pudemos visitar o forte pois estava fechado para uma visita oficial da família Obama. Acabamos nos familiarizando depois com os fortes indianos ao visitar o Forte de Agra (de onde se vê o Taj Mahal e que serviu de prisão para o próprio Shah Jahan no final de sua vida), o atmosférico e inesquecível Forte Amber, em Jaipur, o Forte Mehrangarh que víamos majestoso acima de nós do jardim do nosso hotel em Jodhpur, além de um forte que é uma cidade medieval habitada: a citadela de Jaisalmer.

            Cada um deles é magnífico ao seu estilo, mas com algumas estruturas comuns: as salas de audiência públicas e privadas (Diwan-i-am e Diwan-i-Khas, encantam com sua simetria de arcos), os jardins e a zenana (harem). No Forte Vermelho a surpresa é entrar em um bazar coberto antes de passar ao palácio, mas em comparação aos fortes rajastanis, ele parece sisudo e alterado demais pela ocupação inglesa. Mesmo assim, passar um domingo aqui fazendo piquenique é um programão para os delhiitas.

            Hoje o centro de Delhi guarda poucas semelhanças com o criado pela dinastia de Shah Jahan – a mesquita e o forte continuam, mas as havelis foram ao chão ou estão desfiguradas e as ruas onde passavam poetas e nobres mogóis hoje são tomadas desordenadamente por vendedores e compradores do comércio popular…

            …pelos motoristas de riquixás que engancham suas rodas e tomam quase toda a rua…

            …pelos restaurantes muçulmanos escondidos em portinhas…

            …pelas noivas que passeiam pelo Kinari Bazaar para suas compras de boda…

            …e o céu, já tão poluído, sofre ainda com a poluição visual.

            Dalrymple, um estudioso de longa data do império mogol, se deprime com a situação e tal descrição pode até mesmo assustar à primeira leitura, mas a verdade é que é difícil resistir à Velha Delhi. É hilariante a sensação de estar observando tudo, seguindo a pé com a corrente humana ou do alto de um riquixá: roupas penduradas quase roçando nos braços, pequenos santuários em todos os cantos, casarões antigos com hera crescendo em seus balcões, ligações de energia elétrica surreais, cheiro e barulho de fritura, buzinas e conversas no curioso hindi, bancas cheias de livros. Somos a atração, os olhos todos em cima dos dois branquelos: não me contenho e dou risadas com o absurdo e a intensidade da vida que passa ao nosso redor naquele momento.

            Depois do choque da gloriosa e decadente cidade mogol, a Nova Delhi de Lutyens surpreende pelos seus improváveis silêncio e ordem, pela simetria de seu planejamento, pelas grandes ruas ladeadas de árvores e suas sombras.

            Aqui estão os grandiosos edifícios concebidos para o poder britânico e que hoje são ocupados pelos governantes da maior democracia do planeta. O Rajpath, ligando o India Gate ao Rashtrapati Bhavan e aos dois Secretariat, transforma a Champs Elysées em uma avenida modesta.

            A descrição pode passar a idéia de uma cidade estéril, porém a Nova Delhi é agradável, animada, especialmente junto aos jovens e desejosos de consumo em Connaught Place e ao redor do India Gate aos domingos, programa imperdível para quem quer conhecer gente e ver as crianças andando de pedalinho, jovens com seus amigos e famílias inteiras batendo papo: a vida até parece leve com tantos sorrisos. A procura por relaxamento (e uma tentativa de fuga da poluição) pode continuar ainda até o Lodhi Gardens, reduto da burguesia delhiita, com seus lagos, flores e tumbas fotogênicas do século XV…

            …e deve certamente conter uma visita à Tumba de Humayun, uma das mais lindas atrações da cidade. Entre os frequentadores do mausoléu estão excursões escolares, casais namorando nos bancos e muitos turistas, a maioria indianos. Como se pode ver, aqui não há incompatibilidade entre lazer e morte, talvez pela própria maneira próxima com que o indiano vê o assunto, mas também porque a beleza e antigüidade das construções acaba deixando seu propósito para segundo plano.

            Delhi é também múltipla como reflexo da religiosidade complexa do povo indiano. Sete ou mais cidades, sete ou mais religiões estão representadas ali: o hinduísmo, seja nos diversos templos, num canto de loja ou junto a um tronco de árvore,  o jainismo, com sua defesa inabalável da não-violência e um improvável hospital de pássaros numa das esquinas mais movimentadas da cidade (visto aqui, com um templo hindu logo atrás)…

            …o siquismo e suas gurdwaras, como a grande e acolhedora Bangla Sahib, onde após a cerimônia do final de tarde e uma porção benta de deliciosa halva junto ao lago fomos convidados por um jovem voluntário a participar do lanche da tarde no langar (cozinha comunitária e refeitório, gratuito e aberto a qualquer pessoa)…

            …a fé Bahá’í e seu Templo de Lótus, um dos sete grandes templos bahá’ís espalhados pelo mundo, onde todos são bem-vindos para orar…

            …o islã e suas mesquitas, resquícios da ocupação mogol e lembrança contínua da presença e do legado muçulmanos na cidade, juntamente com os santuários sufis, sendo o medieval Nizamuddin Dargah um dos mais venerados e famoso pelos seus cantores de qawwali

            …além do cristianismo em suas diversas vertentes, budismo e outras religiões em menor escala. Apesar de alguns episódios pontuais de violência, marcados normalmente pela mistura de religião e política (ver episódios das mortes de Gandhi e Indira Ghandi), a sensação que se tem em Delhi é de que todas as crenças têm espaço e nós, meros visitantes, nos sentimos muito bem acolhidos e à vontade na maioria delas.

            A sensação de estar pela segunda vez, mesmo que por pouquíssimo tempo, me fez tomar mais gosto ainda por essa cidade enorme, difícil e injusta como tantas grandes metrópoles, mas ao mesmo tempo tão interessante, cheia de vida, de história e de pessoas gentis que fazem a diferença em um lugar. Eu, que sempre fico triste ao deixar um lugar querido, fiquei duplamente com o coração apertado depois de terminar o livro de Dalrymple. Novamente eu parecia estar deixando a cidade, mas a sensação de prazer na leitura e de um dia intenso e muito feliz revendo a cidade me fez pensar que ainda tenho muitos livros dele esperando na minha estante…e que posso fazer muitos planos para voltar a Delhi.

            * City of Djinns, de William Dalrymple, conta a história da cidade entremeada com a própria vida que o escritor e sua esposa, recém-casados, levavam na Delhi dos anos 80. Djinns (gênios) são espíritos na mitologia islâmica dos quais muitos, segundo alguns místicos, são habitantes de Delhi.

Em busca da foto perdida

               Adoraria ter tido mais tempo em Jaipur – ele teria sido útil para explorar melhor o centro e o bazar ou permitir uma visita ao Moti Doongri, que víamos à noite, iluminado, dos jardins do nosso hotel. Poderíamos até fazer uma nova visita ao Amber Fort e a cidade abaixo dele, que tanto nos empolgou.

            Um dia a mais em Jodhpur seria perfeito para vermos a cidade com calma, coisa que teríamos feito se o nosso vôo para lá não tivesse sido cancelado (nos deixando apenas como opção seguir pela estrada).

               Até Delhi, que tantos detratam, merece mais dias (ou mais visitas): a cidade é complexa e interessante, cheia de camadas históricas. Ela representa bem as contradições da Índia atual, com sua cidade antiga medieval e a nova Delhi planejada do século XX.

               Mas não: a escolhida em que iríamos passar mais tempo era Udaipur. Ela já tinha conquistado seus pontos comigo aos poucos, naquele processo de apaixonamento por lugares que não sabemos explicar muito bem como começou: se não foi amor à primeira vista, a conquista deve ter sido lenta e paciente, uma reportagem aqui, um relato de amigo lá e quando percebemos a vontade já tomou conta.

               No meu caso, eu tinha uma idéia de Udaipur como repositório de uma Índia perdida e romântica, salas de palácio vazias em tons amarelados, cheias de passagens em arco, uma luz de fim de tarde fazendo imaginar a história passada ali. Tenho que admitir que 007 contra Octopussy, algum tempo depois, me deu imagens mais concretas como base para sonho. E uma foto, em especial, arrematou tudo: um jardim e mesas, uma árvore grande fazendo sombra sobre eles, à beira do lago, com vista para um palácio. Não me perguntem onde eu a vi, se era parte de alguma matéria e em que veículo, mas o fato é que eu me peguei desejando muito um dia ir a Udaipur. E não só isso: queria achar esse cantinho e fazer a minha própria foto dele.

               O caminho até Udaipur é totalmente diferente dos que vemos em outras partes do Rajastão: já não temos o deserto nos acompanhando, mas montanhas e vales cheios de vegetação tropical, rios correndo ao longo da estrada. Água também não é um problema na cidade: ela vive à beira de vários lagos artificiais, sendo o mais famoso o Pichola. Além de proporcionar paisagens lindas (e curiosas) de onde quer que se esteja na cidade, eles ainda são um ponto de encontro dos moradores, que saem para passeios junto à água no final da tarde ou nos fins de semana, algo parecido com a passeggiata.

 

               Nos hospedamos à beira do lago, com vistas para o centro antigo e o Palácio da Cidade, na margem oposta. Foi sentada em um banco nos jardins do hotel, observando o cenário em meio às brumas da manhãzinha, que percebi que já tinha visto aquele perfil de construções: claro, na ‘minha’ foto. Comecei então a pesquisar o mapa da cidade em busca de algum lugar que pudesse proporcionar aquela mesma perspectiva.

               Achei possibilidades, mas tínhamos outros planos para aquele dia: um almoço marcado no Lake Palace, um ícone de Udaipur – era ali, no palácio branco no meio do lago, que tinham sido filmadas algumas das cenas mais interessantes do filme, o palácio da Octopussy.

               Ao tomar o barco que iria nos levar do nosso hotel até o Lake Palace, percebi que estaríamos perto de um dos possíveis lugares da foto, mas, como ele passou longe da margem, não pude comprovar. E me esqueci um pouco da busca almoçando um dos meus pratos indianos favoritos, murgh makhani acompanhado de butter naan, com a sensação de flutuar sobre o lago, olhando o palácio do outro lado.

 

               O Palácio da Cidade é o lar do maharana (marajá) de Udaipur, dividido entre a área íntima da família, um hotel (que também serviu de cenário para o filme) e a área histórica que pode ser visitada. Por fora é uma construção sólida, de cor dourada, com muralhas altas – dentro é um catálogo das mais lindas artes decorativas: afrescos, entalhes, mosaicos de vidro, espelhos, azulejos…

               Toda essa cor e delicadeza é embrulhada em cômodos entremeados por jardins, cada cantinho oferecendo uma vista perfeita do lago, das montanhas, da cidade…

…e até mesmo do nosso hotel.

               Mesmo já tendo visitado o palácio no dia anterior, iríamos vê-lo novamente e soubemos disso conversando com o gerente do Lake Palace. Falando sobre o filme, o hotel e a beleza do complexo em frente, ele mencionou que no dia seguinte à noite aconteceria ali a tradicional festa do Kartik Poornima em homenagem a Brahma, o criador. A comemoração é sempre na lua cheia do mês de Kartik (entre novembro e dezembro) e em Udaipur o marajá é o anfitrião. Uma parte dos convites é aberta ao público e resolvemos conferir: poderia ser espetacular, certo?

               Certo: a noite foi realmente inesquecível e provou que o marajá star, que adora a mídia, sabe mesmo receber. O grandioso pátio do palácio estava lindamente decorado, bebidas e canapés nos faziam esperar uma cena curiosa: a entrada do antigo soberano e sua família, acompanhados de banda marcial – os marajás perderam todo o seu poder de governo com a independência indiana, mas ainda detêm suas propriedades e títulos. Fogos sobre o lago marcam o início da festa e em seguida a apresentação da orquestra de câmera de Madras com o incrível flautista Bernard Wystraete. Alguns discursos e um delicioso jantar depois, voltamos para casa felizes com a coincidência da data e a oportunidade.

 

               No dia seguinte tive que adiar a busca, mas com bons motivos: um deles era visitar a área do mercado, já que eu e meu querido adoramos descobrir o que cada lugar tem de melhor, experimentar a agitação do dia-a-dia, ter uma idéia mais precisa da autenticidade do cotidiano.

               A Índia foi um prato cheio para isso e o de Udaipur talvez tenha sido o mais bacana que vimos na nossa viagem: frutas e verduras brilhantes de tanto frescor, cestos e balaios, cocos para uso nos templos, cereais, utensílios de cozinha (vontade de trazer uma panela para cozinha mogul) e muito mais.

               À tarde, os estímulos e a agitação do mercado foram substituídos pela calma e beleza, quando seguimos para os arredores da cidade para visitar alguns templos antigos. Antigos e simplesmente maravilhosos…

               O primeiro complexo, à beira de um lago em que se banhavam búfalos e crianças, era o Sas Bahu, do século XI. Eu já tinha visto muitos templos na viagem, sejam hinduístas, jainistas ou sikhs, e achava que nada mais me surpreenderia depois de Ranakpur, mas a beleza dos entalhes e do entorno me captaram. O silêncio era quase absoluto, só quebrado pelos risos das crianças ao longe. As esculturas em pedra tinham motivos misteriosos e ao mesmo tempo modernos, me lembrando linhas art déco. No meio do lago, a ponta de um templo afundado, que surgia em completo somente na época da seca. Os templos em pedra em primeiro plano, grandes árvores em verde claro ao fundo. Pássaros, flores crescendo em meio às pedras. Com certeza você já passou por essa experiência de estar em um lugar tão excepcional que a vontade é de absorver intensamente cada segundo. E de não querer ir embora.

               Foi com relutância e muitas olhadas para trás que fomos embora, mas ainda tinha mais uma surpresa deliciosa: o templo de Eklingji, dedicado a Vishnu e um dos mais reverenciados da região, sendo também o templo pessoal do marajá. Um pouco mais antigo, do século X, o complexo tem 108 templos e nem parece tão grande olhando de fora, enquanto esperávamos o portão abrir às 17h. Nem tão grande foi a espera, nos distraindo ao contabilizar tantos olhares curiosos em cima de nós, os únicos ocidentais ali.

(foto cedida por archer10)

               A porta é aberta e seguimos o ritual básico de tirar os sapatos, depois comprando guirlandas de flores. Seguimos para outra fila e continuam os olhares: alguns riem, outros só observam, mas não percebemos nada mais que curiosidade. Entramos então de verdade no complexo, templos e mais templos enfileirados, com o principal ao meio: foi para lá que seguimos, testas pintadas, envolvidos pela música circunspecta e incenso. Depositamos nossa oferenda em frente às quatro faces de Vishnu e saímos, os rostos tranqüilos orando ficaram dentro do templo.

(foto cedida por archer10)

               Passeando pelo complexo, encontramos mais uma família curiosa e também corajosa: um grupo de mulheres sorridentes de todas as idades me cercou, uma senhora idosa estimulando uma pequenina a me tocar. Uma das moças falava inglês, me fez perguntas e elogios e ao final todas se despediram respeitosamente. Fiquei tocada pelo encontro breve, pois além de carinhosas, elas representaram um dos poucos contatos que tive com as mulheres indianas – no turismo os prestadores de serviços são quase todos homens e elas, em geral, são bastante tímidas. Pena não poder tirar fotos ali dentro, uma vontade de registrar aquele lindo conjunto de mulheres.

(foto de www.esamskriti.com)

               Chegou o nosso último dia na cidade e com ele o fim da nossa viagem mais que marcante, inesquecível. Eu e o Arnaldo sentíamos uma tristeza grande, uma espécie de banzo indiano. Tínhamos quase o dia todo antes de irmos para o aeroporto e decidimos aproveitá-lo bem, curtindo mais uma vez o centro e com o objetivo de achar o meu lugar em Udaipur. Andamos pelos ghats até um dos portões de entrada da cidade antiga, seguindo as ruelas no sentido do palácio e dos templos principais.

               Passamos pela região de Lal Ghat e descemos pelo outro lado, atravessando novamente um dos braços do lago. Era ali que ficava uma pontinha de terra que avançava nele e onde, pelos meus mapas, havia um restaurante. Era minha aposta e não me desanimei com as ruas quase desertas.

               Entrando aqui e ali, chegamos ao Ambrai, um simpático hotel. Continuei atravessando pelo seu pátio até que o encontrei, o meu lugar: um jardim e mesas, uma árvore grande fazendo sombra sobre eles, à beira do lago, com vista para um palácio.

               Mas agora eu podia ver também que dali havia também uma vista linda para o Lake Palace e para um ghat próximo, onde pessoas se banhavam e lavavam suas roupas.

               O sol deixava o Palácio da Cidade dourado e fazia a água brilhar, agitada de vez em quando pelos barquinhos que passavam lentamente. O resto era todo igualzinho ao que eu tinha visto na foto original, mas com uma diferença brutal: dessa vez eu estava ali e fazia parte da paisagem.

                O final perfeito para uma viagem perfeita…só que deixou ainda mais difícil a tarefa de sair do centro histórico, sair do nosso hotel, sair de Udaipur, sair da Índia.

javaversion1
Warning: passthru() [function.passthru]: Cannot execute a blank command in /home/storage/3/b3/3e/aturistaacidental/public_html/wp-content/themes/simplepress-2/footer.php on line 3