Como alguns já devem saber, esse título é uma homenagem à Carla do Idas e Vindas, que nos inspirou neste bate-volta com a sua série sobre Colonia del Sacramento. O que sentimos, através do relato dela, foi uma cidade encantadora e tranqüila, e a nossa decisão foi reservar um dos nossos dias em Buenos Aires para ir a Colonia.

Tentamos reservar as passagens pela internet através do site da Buquebus, mas o final de ano tornou tudo mais concorrido e não conseguimos. No primeiro dia em Buenos Aires, no entanto, seguimos direto para o escritório deles na Recoleta e aproveitamos duas desistências. Eba! :-D

Era justamente na véspera do Reveillon, dia que queríamos ficar na cidade para relaxar e curtir mais a noite, mas sem problemas…aliás, o único quase-problema que tivemos foi no próprio dia da viagem: mesmo com TV e rádio no apartamento, não nos demos conta de que o horário de verão tinha mudado justamente naquela noite! Estávamos tranqüilamente tomando café no nosso cantinho de praxe, quando vimos o relógio: 9 horas!!!

Chamamos o garçom e ele confirmou: ‘Vocês não sabiam do horário de verão?’ (Suspiros profundos.) Perdemos uma grana e o passeio, pensamos. Mas fomos de qualquer jeito para o terminal de embarque em Puerto Madero e…voilà! Eles tinham alterado o horário para as 10 horas, íamos para Colonia!

Moral da história: por mais que férias sejam para relaxar, não custa nada prestar mais atenção aos noticiários locais…e sempre confirmar se não há nenhuma mudança de horário à vista :mrgreen:

Depois do check-in e da imigração, finalmente entramos no barco. Tínhamos escolhido o buque rápido, que chega a Colonia em apenas 50 minutos. É um barco confortável, com ar condicionado, lanchonete e free-shop.  Alguns minutos de navegação e Buenos Aires aparece pequenininha, ao longe…e não demora muito e já chegamos.

A partir do cais, a caminhada até o centro histórico é rápida, não mais que dez minutos. Uma parada no centro de informações turísticas para pegar um mapa e seguimos pelas deliciosas ruas arborizadas da cidade.

As belas casas coloniais indicam a entrada no bairro histórico…

…e um pouco à frente, o Rio da Prata.

A cidade foi fundada no século XVII pelos portugueses e bastante disputada pela sua situação estratégica, no acesso ao Rio da Prata. O seu controle mudou das mãos dos portugueses para os espanhóis e de volta aos portugueses durante cerca de um século.

Toda essa alternância de poder influenciou na variedade arquitetônica encontrada em Colonia, que é bem diferente de outras cidades coloniais que temos no Brasil. As casas são mesmo um espetáculo…

(A combinação casinha branca colonial-primaveras é irresistível :mrgreen: )

É difícil escolher um canto preferido na cidade. O passeio que contorna o rio é lindo, especialmente com o dia maravilhoso que estávamos tendo, sem uma nuvem no céu…a Plaza Mayor também convida a sentar um pouco e deixar a vida acontecer :-D

Num dos cantos da praça está o Portón de Campo, com o brasão de Portugal, entrada oficial da cidade antiga. Nós acabamos entrando pelo outro lado, mas acho que vir por aqui dá um impacto maior, com o fosso e a ponte de madeira :-D  Ela faz parte da muralha que contornava a cidade e da qual podemos ver ainda um pouco do que resta, no trecho que vai do portão até o rio.

Descendo em direção ao rio e à direita novamente, entramos na famosa Calle de los Suspiros. É uma das ruas mais características, com calçada tipo pé-de-moleque bem irregular e casas das mais antigas do bairro histórico, muito simples, em tons de rosa. Algumas são ateliês e lojas de antigüidades. Uma visão muito bucólica e simpática.

Subindo de volta à praça e indo um pouco à frente, chegamos na praça da Igreja Matriz (aqui vista de cima do farol).

Nesta praça ficam também as ruínas da Casa do Governador: na prática restou somente o traçado da casa, com a indicação dos cômodos. Pode-se andar sobre elas através de passarelas.

Na praça também fica o El Drugstore, restaurante muito charmoso e recomendado pela Carla. Só não almoçamos ali porque o calor absurdo nos fez procurar a beira do rio, onde soprava uma brisa. Digamos que uma Patrícia geladinha também tenha ajudado :mrgreen:

Depois da pausa, extremamente necessária para diminuir a temperatura corporal, seguimos de novo pelas ruas…cada canto é mesmo muito fotogênico e esses carrinhos antigos fazem a sua parte ;-)

Queríamos ainda subir ao farol, que fica na Plaza Mayor, junto às ruínas do Convento de São Francisco.

Vale a pena subir e ter uma bela visão da cidade…

…e do rio.

A essa altura do dia tínhamos que voltar ao porto para pegar o barco de volta a Buenos Aires…ainda tínhamos um Reveillon pela frente! :-D

PS: E se me perguntam se vale a pena investir um dia em Buenos para ir até Colonia, digo que sim, se você é um(a) fã de cidades históricas, como eu. Nós realmente gostamos da cidade (como vocês podem ver pelo post gigantesco!). E na próxima vez, queremos fazer como a Carla e dormir lá: a atmosfera deve ser deliciosa. Além do Radisson, onde ela ficou, achamos bem simpática uma pousada dentro do centro histórico, a Posada del Virrey.