Deixando o coração em Istambul

É engraçado…a empatia inicial muitas vezes determina os rumos de um relacionamento, de que natureza for. Muitas vezes nem conhecemos a pessoa e já gostamos de pronto: só de ouvir falar, de ver uma foto…ou não vamos com a cara, direto assim.

Comigo aconteceu também, mas com uma cidade. Istambul me conquistou de mansinho…de leituras de adolescente, de fotos vistas em revistas. Ao longo do tempo você acompanha as notícias com interesse, vê matérias inspiradoras e pensa em materializar aquela simpatia toda, que não saberia se seria mútua.

Aí começa a pesquisa, a compra de guias (plural mesmo) e o delicioso planejamento. O que era para ser um apêndice de viagem, começa a tomar outra dimensão e, com a empolgação com o destino, até as pessoas perguntam: ‘Mas…não era mesmo para a Grécia que você estava indo?’

A expectativa era enorme e eu não gosto disso, o decepção está sempre ali atrás da porta. Dito e feito. Chegar em Istambul foi um choque: gente demais nas ruas (feriado…), sujeira, véus, taxista enganador, serviço inexistente no restaurante. Eu tinha subestimado a cidade. Na verdade, eu tinha alimentado fantasias de uma cidade em boa parte ocidental e Istambul foi, para mim, pura Ásia.

No auge da crise (mau-humor também com o hotel medíocre), resolvi ver os barcos à beira do Corno de Ouro e tive que atravessar a avenida por uma passagem subterrânea: caos, caos, caos.

No meio daquela massa e calor me deu vontade de dar risada. Eu estava sendo ingênua no meu primeiro contato com o Oriente. Admirando a Ponte de Galata e o reflexo do final de tarde nas águas, revi minhas posições e meus sonhos com Istambul e comecei a aproveitar o acontecimento maravilhoso que era estar ali, naquele momento.

Reconhecendo o encantamento que tinha tomado conta desde sempre, tomei fôlego e, resolvida a viver aquela paixão, atravessei o Bazar das Especiarias e subi em direção a Sultanahmet…


