No centro do mundo: Delos – Δήλος

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Era uma vez…uma deusa que, grávida de Zeus, fugia da ira de Juno (esposa dele). Latona procurava um local protegido, onde pudesse dar à luz os gêmeos que esperava, já que Juno tinha uma colaboração fundamental: Gaia, a deusa terra, que impedia a fixação da futura mãe em qualquer solo.

Mas aí entra em cena Delos, uma ilha flutuante, sem vínculos com Gaia, mas com Posêidon, deus dos mares. É ela quem vai abrigar Latona e ser o local de nascimento de Apolo, deus da luz e das artes, e sua irmã gêmea Ártemis, deusa da caça.

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Depois do nascimento dos dois deuses e de Zeus torná-la uma ilha fixa, Delos foi presenteada com um templo, tornando-se sagrada. E também centro das Ilhas Cíclades, que formam justamente um círculo em torno de Delos.

Qualquer lugar que tenha como história um mito desses, deve ter algo de realmente especial…Então aproveitamos o nosso primeiro dia em Mykonos para…sair dela e seguir para a vizinha. O sítio arqueológico fecha às segundas (o outro dia inteiro que teríamos) e o tempo nublado convidava a trocar a praia pela exploração histórica (não acho que sol combine com grandes espaços descampados…)

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Como estávamos em cima da hora, o nosso hotel nos reservou lugares no barco, mas pode-se ir diretamente ao porto antigo da cidade e adquirir os tíquetes de ida e volta, além da entrada no sítio. Nós ainda resolvemos pegar um tour com guia, para aproveitar melhor a experiência. Os barcos tem várias saídas de manhã, assim como várias alternativas de volta, sendo a última às 15h.

A viagem é curta, cerca de meia hora e no píer já se tem uma visão ampla da ilha e do sítio arqueológico…

(Caso queira se localizar, tem um mapa bastante completo e legível de Delos aqui.)

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Encontramos a nossa guia, uma grega espalhafatosa e divertida, que começou o tour pelo bairro do Teatro, à direita de quem desembarca na ilha. Além de ser originalmente um local sagrado, sede do Santuário de Apolo desde o século VIII a.C. e tendo depois sido submetida a Atenas, Delos experimentou seu apogeu econômico e comercial na época helenística. Nesta época grandes comerciantes se estabeleceram na ilha e construíram suas mansões, exatamente neste bairro. Passear por aqui é encontrar os vestígios das que já foram restauradas, como a Casa do Tridente, identificada pelos mosaicos relacionados ao mar, como o do próprio tridente de Posêidon e do golfinho ao redor da âncora.

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Estas grandes casas do Bairro do Teatro têm como padrão a disposição dos cômodos ao redor de um pátio ao ar livre com colunatas, normalmente decorados com mosaicos complexos, cheios de cores. Esse é o caso também da Casa de Dionísio, uma das mais grandiosas, onde o pátio central abriga o mosaico do deus em questão montando uma pantera. O que se encontra no local hoje é uma cópia, o original está dentro do museu do sítio arqueológico, de onde tirei a foto que abre este post.

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Outras casas interessantes para se dar uma olhada são: a Casa de Cleópatra (não, não é a que vc está pensando…), onde ainda pode-se ver as estátuas dos donos da casa (decapitadas, mas o que esperar? Estátuas são uma raridade aqui…); e a Casa dos Golfinhos, com um lindo mosaico retratando os próprios. Em todo lugar se vê resquícios destes mosaicos coloridos…

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Ao final desta rua, se chega ao Teatro propriamente dito: infelizmente a construção está bem deteriorada… 

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…mas o cisterna ao seu lado está em muito melhor forma. Ela abastecia a cidade inteira e era essencial, já que a ilha é inóspita.

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Voltando no sentido do píer e seguindo em frente, entramos na área que era originalmente o grande Santuário de Apolo e onde estão também todas as estruturas que davam apoio aos peregrinos. Infelizmente pouco ainda foi recuperado desta área: as escavações, iniciadas no final do séc. XIX, deram prioridade ao Bairro do Teatro.

Mas é aqui que estão as réplicas do mais famoso símbolo de Delos, o Terraço dos Leões. 

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Originalmente existiam nove leões, formando uma avenida chamada Caminho Sagrado, que margeava o santuário. Hoje os poucos originais que resistiram foram levados até o museu do sítio, que guarda também os mosaicos originais mais preciosos e outros objetos.

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É bacana sentar no terraço do museu, só observando o perfil do sítio arqueológico, com uma pequena área verde à direita, onde ficava o Lago Sagrado (onde Apolo e Ártemis teriam nascido), os poucos vestígios da área do santuário, as construções mais recuperadas à esquerda…

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Depois de uma pausa e já sem guia, decidimos voltar no último barco, o que nos deu tempo de subir o Monte Kythnos, o ponto mais alto da ilha.

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É um caminho árido, mas a todo lugar se pode ver restos históricos, jogados por aqui e ali…e alguns poucos moradores da ilha: lagartos e caramujos.

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Passa-se ainda por algumas das mais bonitas construções da ilha, a Casa de Hermes…

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…e o Templo de Ísis, no Santuário dos deuses estrangeiros, já na encosta do monte.

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A subida vale a pena: não é muito íngreme e dali se tem uma visão completa de Delos quase que inteira, além das ilhas próximas, incluindo Mykonos.

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A essa altura do dia, já não tinha mais ninguém no topo, só eu e alguns pássaros divertidos, ‘surfando’ correntes de ar :-D

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Lá em cima, depois de um tempo relaxando, é que percebi como Delos havia me tocado. Não saberia explicar, mas me senti tão bem na ilha…tanto que senti ter que descer, ao ver o barco se aproximando no horizonte e o relógio chegando quase nas 3 horas. Hora de voltar a Mykonos…

* Esse é um post com bibliografia :-D Para outras novelas gregas, dêem uma olhada em ‘O Livro de Ouro da Mitologia’, de Thomas Bulfinch. Ótima companhia para uma viagem à Grécia.

Mykonos – Μύκονος: …sem balada

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Vou ser muito sincera com vocês: a escolha de Mykonos foi uma dúvida até o último momento. E vários são os motivos para isso: o primeiro deles é que tínhamos a impressão de que era uma ilha temática – balada. E não era bem isso que estávamos procurando.

O outro motivo então era…justamente a falta de motivo. Escolhemos Santorini pela beleza impactante e única, Rhodes pela história, Milos pela calma e paisagem… Se não queríamos agitação, por que Mykonos então? Vilas cicládicas típicas e praias bonitas podiam ser encontradas em qualquer outro lugar. Mas havia também a questão Delos, o que fazia a diferença. E, já que a curiosidade estava instalada…ok, fechamos :-D

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Felizmente, o hotel foi uma das escolhas mais fáceis da viagem e outro grande acerto. O Vencia fica um pouco acima da cidade de Mykonos, em cinco minutos de caminhada. Está todo reformado e novinho, é moderno e confortável, ótima comida e café da manhã, serviço atencioso e internet gratuita (atualmente está em 1º no Trip Advisor na cidade). Além disso tem uma piscina de borda infinita linda, com uma super vista da cidade e do mar. E o nosso quarto tinha uma das melhores vistas, oba!

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O primeiro dia foi reservado para Delos, pois o tempo não estava bom para pegar praia e, dos dias em que ficaríamos na ilha, era o único em que o sítio arqueológico estaria aberto. Sem problemas…como não dá para ficar até muito tarde lá, aproveitamos o resto do dia nublado para conhecer a famosa cidade de Mykonos.

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(mapa de mappery.com)

Junto com Santorini, Mykonos faz parte do pacote básico de qualquer um que sonhe em ir para as ilhas gregas pela primeira vez. Você pode dar uma olhada em qualquer anúncio de pacote para a Grécia e as duas vão estar lá, de mãos dadas. Mas com uma grande diferença: os casais vão se identificar mais com a primeira, enquanto a última atrai quem quer dançar o dia inteiro (e algo mais…). Mas Mykonos também tem praias famosas e uma das cidades cicládicas mais típicas, onde também fica o porto da ilha.   

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chora (capital) da ilha  é um dos maiores labirintos onde já estive, talvez perca para Veneza. Para ‘control freaks’ e fanáticos por mapas, como eu, é uma loucura: é melhor simplesmente esquecê-los e andar sem direção. E logo a ansiedade por se encontrar desaparece – o padrão casas-brancas-e-becos é sempre delicioso de se observar.

Como uma das ilhas mais cosmopolitas, Mykonos também é uma maravilha para quem gosta de comprinhas, lojas e mais lojas de vários tipos: marcas internacionais, souvenirs, ateliês, estilistas locais…Tem também vários pontos turísticos manjadíssimos (mas muito simpáticos), conhecidos de todos que folheiam as revistas de turismo: para começar a ‘Pequena Veneza’ (Little Venice)…

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É um daqueles lugares de que se tem idéia totalmente diferentes de se conhecer ‘ao vivo’. Bem, pelo menos nessa minha cabeça…São várias casas construídas quase que dentro d’água e a maioria delas funciona como bar/balada. Há uma continuação desse trecho com restaurantes com mesas à beira d’água. É bem bacana caminhar por ali à noite, beber alguma coisa num dos bares, com a visão dos moinhos, do outro lado – outro clássico miconiano.

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Voltando desta parte da cidade, Alefkandra, para o porto, passa-se por um dos cartões postais de Mykonos, a igreja de Panagia Paraportiani. Na verdade ela é uma mistura de várias delas, construídas em torno do do século XV. Ela fica linda em fotografias, toda branca e linda contra um céu azul. Claramente não foi o efeito que eu consegui :roll:

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E finalmente, não um ponto turístico, mas um mascote: Petros, o pelicano. Na verdade seus substitutos, que andam para lá e para cá ao redor do porto…já que o verdadeiro está empalhado em um dos museus da cidade :roll: Mas a verdade é que observá-los é uma diversão e dão um charme extra à capital, que já tem um bocado de personalidade.

(Para a @Marcie14, um oferecimento d’A Turista Acidental :mrgreen:

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A verdade é que a pequena capital da ilha é um lugar encantador…Sob as luzes do pôr-do-sol é muito romântica, assim como ao anoitecer.

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Uma delícia sair para fazer umas comprinhas nos trechos badalados e e jantar em restaurantes escondidos e charmosos…

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…depois percorrer as áreas mais tranqüilas, desertas, passando ao lado do mar e ouvindo a água batendo contra os muros e casas…a visão dos moinhos iluminados…