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- Yasas!

Era o capitão Mihalis cumprimentando quando cheguei ao veleiro. Aliás, captain Mike, como ele próprio se entitulava: o marinheiro, guia e cozinheiro nesse dia de exploração marítima de Milos.

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Eu já tinha encasquetado de fazer um passeio de barco ao redor da ilha desde as primeiras pesquisas e já tinha até escolhido com quem fazer, mas não gostei do esquema quando cheguei ao cais para combinar a saída: muito grande (= muita gente) e o senhorzinho que colocaram lá para dar informações não falava uma palavra de inglês. Complicado.

Mas logo ao lado estava o Capitão Mike e o seu Panormos. Era um veleiro de 50 pés, bem conservado, que iria fazer justamente o roteiro que queria: percorrer a costa oeste da ilha até Kleftiko, lugar que me marcou quando o vi no Guia Grécia, na seção ‘lugares aonde só se chega de barco’.

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Partimos todos no meio da manhã e, para a nossa sorte, fazia um lindo sol que prometia ficar forte. E além de tudo a companhia era boa: além do Mike, mais três casais – dois de franceses e um de ingleses. Todos muito bacanas e educados, fora que o barco tinha espaço de sobra para todo mundo conviver civilizadamente.

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Começamos margeando a costa interna leste, passando pelas catacumbas. Já que não as vimos por terra, pelo menos de longe pudemos dar uma espiadinha.

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Logo em seguida vieram as vilas de pescadores que já tínhamos visitado no dia anterior. Fácil reconhecer Klima, a maior delas: parecia ainda mais linda com o sol que batia nas casinhas e deixava as portas e janelas com um colorido mais vivo.

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Quando se chega nesta ponta da ilha, é fácil reconhecer os Arkoudes (ursos), esculturas de pedras que se parecem com os tais.

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Para mim esse de baixo está mais para coelho :roll:

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É nesse momento que o barco vira totalmente a oeste e cruza a baía da ponta onde estávamos até a outra, chamada de Cabo Vani. Nessa região havia várias minas de exploração de manganês e ferro: é possível ainda ver vestígios das estruturas de transporte para os barcos.

Milos é uma das poucas ilhas nas Cíclades que não tem o turismo como fonte de renda predominante – a maior parte ainda vem da mineração, dada a sua estrutura geológica privilegiada. Isso se deve ao passado vulcânico da ilha e o seu formato em ‘U’ já indica essa origem, sendo o centro da baía de Milos a cratera deste vulcão (como em Santorini). A atividade vulcânica aqui, no entanto, é bem menor do que na vizinha famosa.

É possível encontrar um pouco de tudo por aqui…Além dos dois já citados, há muitos outros minérios dando sopa por toda a ilha: bentonita, caulim, pedra-pomes, barita, obsidiana, perlita e enxofre, como aqui nesta encosta. Hoje apenas alguns destes são explorados e a maioria da atividade é feita pela S&B, uma multinacional grega com um tentáculo aqui no Brasil. A maioria das minas atualmente está na costa leste de Milos.

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Um pouquinho mais de tempo velejando e chegamos à nossa primeira parada: a baía de Kalogries. Uma beleza de lugar, totalmente deserto (com exceção de algumas cabras no topo das falésias) e uma água totalmente convidativa.

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O sol ainda não estava muito forte e pensei duas vezes antes de cair na água. Mas…você conseguiria resistir a uma água assim? :?: Eu não.

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Se ainda tinha um pouco de Emília dormindo no meu corpo, esse restinho foi embora num segundo. Gente, tem coisa mais deliciosa do que nadar num lindo poço de cachoeira ou num mar cristalino como esse? Não tem banho de descarrego melhor :mrgreen:

Pena que o snorkeling não é nenhuma maravilha, como na maioria dos lugares em que estive no Mediterrâneo. Só alguns peixinhos, nada de focas-monge ou tartarugas cabeçudas, mas aí acho que também é pedir demais. De resto é tomar um solzinho para esquentar, comer umas bruschettas gregas e zarpar.

A paisagem é grandiosa, cheia de paredões brancos e aqui quem dá o ar da graça é ponto mais alto da ilha, Profeta Elias.

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Mais um bom trecho de mar tranqüilo e chegamos a mais uma parada, Sykia.

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Esta é uma das muitas cavernas da ilha, com a diferença que esta aqui teve o seu teto desabado. Nessa hora o Panormos já estava ancorado e seguimos num pequeno bote caverna adentro.

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Sykia é bacaninha, mas o motivo principal da parada fica pálido perto do ponto onde o barco se aconchega. Que lugar es-pe-ta-cu-lar. As fotos falam pelo ele…

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Eu poderia falar que todo o deslumbre era culpa do ouzo que já rolava solto pelo barco, mas a verdade é que o efeito dele já passou faz tempo e eu continuo de boca aberta até agora.

Mais um pouco de navegação e chegamos a um dos principais cartões postais de Milos: Kleftiko.

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Fica exatamente na ponta sudoeste da ilha e a tradução é algo como ‘esconderijo de ladrões’. Não saberia dizer se é lenda ou não, mas o que nos foi contado é que este era o local de escolha de piratas. Não é difícil de acreditar, com tantas cavernas dando sopa por ali.

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As formações de rocha branca são espetaculares e fazem um contraste lindíssimo com a vegetação e a água azul-turquesa.

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Mais uma vez aqui pegamos o bote para explorar os cantinhos e depois…água, claro. Não tenho palavras para descrever o prazer de nadar aqui. A água refrescante, o sol batendo no corpo… você olha para cima e vê toda a paisagem, que vai mudando conforme as braçadas. Brincar de nadar pelos túneis de pedra…

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(Ai, que vontade de estar de novo ali, naquele momento – suspiros…)

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A essa altura já estávamos todos com fome, apesar dos petiscos, e o capitão Mike assumiu o papel de chef, preparando uma salada típica da ilha, com pão crocante, tomate, ervas e queijo de cabra macio. Logo em seguida serviu um suculento espaguete com frutos do mar. Nada melhor depois que um tomar um solzinho na proa, naquela molezinha gostosa.

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Mas tudo tem um fim e  precisamos rumar de volta ao porto, curtindo a luz do final da tarde na água e observando os peixes voadores.

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Perto de Adamas estava o próximo objetivo, Plaka, que parecia uma serpente branca descendo pela encosta…o pôr-do-sol prometia. Relutamos em sair do barco, ainda mais com o Mike, essa figura ultra gentil, tendo comprado loukoumades (sonhos com mel) para dividir conosco e trocar idéias…podia se ver que ele estava super contente e orgulhoso de mostrar tudo aquilo para nós, estrangeiros.

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E adivinhem o preço de tudo isso? A bagatela de 40 euros por pessoa…

Demos tchau e seguimos todos (a essa altura já totalmente entrosados) para o Kástro…o sol descia rápido, mas ainda conseguimos chegar a tempo, mesmo com toda a subida a pé.

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As fotos não fazem justiça, mas posso dizer que esse foi o mais bonito pôr-do-sol na Grécia. Ok, teve um em Santorini que perdeu por um nariz.

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Eu adoro um passeio de barco, mas esse realmente superou todas as nossas expectativas e foi eleito, sem dúvidas, um dos passeios top 5 de toda a viagem. Um dia perfeito, do começo ao fim.

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