Santorini – Σαντορίνη: É tudo verdade

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Chegamos a Santorini tarde da noite, eu num mau humor terrível: o nosso vôo Milos-Atenas sofreu um atraso de quase duas horas, o que nos obrigou a passar boa parte da tarde num aeroporto pior do que rodoviária de cidade pequena. Sem luz no banheiro, nem revistaria, internet café ou comidinha boa…a parte boa é que os franceses com quem fizemos o passeio de barco seguiam no mesmo vôo e papo não faltou.

A nossa sorte foi ter um intervalo grande para o outro trecho, mas o meu plano era aproveitar bem meu tempo no aeroporto de Atenas para comer com tranqüilidade, ver e-mails, um lambe-vitrine básico. Que nada. E quando chegamos a Santorini, o nosso transfer estava atrasado. E ainda por cima chuvinha…Ah, não, eu não merecia isso. Não em Santorini. Em lua-de-mel.

Fomos resgatados pelo faz-tudo Nikos (não, não se parecia com o Tony Ramos), ultra-simpático (apesar das dificuldades de comunicação). E começou o zigue-zague pelas estradas da ilha…Passamos por Fira, mas Oia não chegava nunca. Já estava arrependida de ter escolhido ficar lá, estava longe de tudo! E o bico só crescendo…

Quando chegamos, vi que a chuvinha tinha parado. A dona do hotel nos recebeu e deixou o check-in para o dia seguinte, viu que estávamos cansados. Mas tudo foi embora quando comecei a descer as escadarias e vi todas as luzes e piscinas de Oia na encosta, a caldeira na minha frente na escuridão…Virei para o Marc e quase gritei: ‘Estamos em Santorini!’. Ele só deu uma risadinha: ‘Como você muda rápido de humor.’ :oops: :mrgreen:

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No dia seguinte é que pudemos ter uma idéia melhor de onde estávamos. Inacreditável, simplesmente.

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Santorini tinha sido um dos lugares mais difíceis no nosso roteiro para escolha de hotel. Tudo era carésimo (apesar de já estarmos preparados para gastar mais) ou não muito interessante pelas fotos ou com muitas reclamações no Trip Advisor. Ou tudo isso junto. Mas depois de algumas semanas de pesquisa, apostamos no Atrina. E foi um tiro certíssimo.

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Ele tem vista para a caldeira e uma ótima localização: pouco depois do início da rua para pedestres, de fácil acesso. É um dos vários hotéis que aproveitaram as casas-caverna que existiam na vila, em decadência. Com a renovação, resultaram em um tipo de hospedagem diferente e muito charmosa.

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Os quartos são grandes e confortáveis, cheios de mimos. Tem também uma sala e mini-cozinha, além da varanda, que era onde tomávamos o café da manhã :cool:

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Mas uma das melhores coisas era poder relaxar na piscina, sempre com a vista da caldeira – o respiradouro do vulcão que é a ilha, na verdade.

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E foi o que fizemos todas as manhãs.

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A impressão que se tem é que não dá para desviar o olhar da caldeira e das encostas: você está perdendo tempo ao fazer isso. E esse voyeurismo fica ainda mais prazeroso quando se está em Oia.

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Esta é a vila que fica na ponta norte da ilha, a mais isolada e também mais fotogênica de todas, um lugar único no mundo.

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A maioria das fotos de divulgação da ilha é feita aqui então é inevitável sentir um certo déjà vu.

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Oia inteira é impecável, limpíssima e muito bem mantida, cheia de flores. Calçadão de mármore iluminado à noite somente por luzes próximas ao chão. Charmosa, charmosa…

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As ruazinhas são cheias de joalherias, ateliês, livrarias…e muitos dos melhores restaurantes da ilha, como o 1800 (construído numa linda mansão do séc. XVIII), o Pelekanos,o Ambrosia… 

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É aqui também que ficam os exclusivíssimos hotéis Perivolas e Katikies, esse último ao lado do nosso e reconhecível pela quantidade de funcionários circulando. Serviço é tudo.

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Outra característica que salta facilmente aos olhos é a quantidade de igrejas. São dezenas delas para apenas um pequeno vilarejo e elas ficam ajudam muito nas fotos ;-)

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A pontinha de Oia é cheia de moinhos e ruínas de um castelo veneziano… 

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…que lota nos finais da tarde por ser um balcão perfeito para admirar o pôr-do-sol.

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Aqui você não tem mais a visão da caldeira, mas vê o sol sumindo no mar. Caso tenha chegado mais cedo, pode conseguir uma mesa em um dos bares e aproveitar o fim da tarde bebericando um bom vinho branco de Santorini.

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Passear à noite em Oia é uma das melhores memórias na ilha…É a hora em que a maioria das pessoas já voltou para seus cruzeiros ou outras vilas onde estão hospedados e a movimentação é discreta e silenciosa. Inesquecível.

PS: Para ver Santorini em sua melhor forma, assim como outros cantos gregos, vale a pena dar uma olhada aqui e aqui.

Para gostar de Milos

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- Yasas!

Era o capitão Mihalis nos cumprimentando quando chegamos ao veleiro. Aliás, captain Mike, como ele próprio se entitulava: o nosso marinheiro, guia e cozinheiro nesse dia de exploração marítima de Milos.

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Eu já tinha encasquetado de fazer um passeio de barco ao redor da ilha desde as primeiras pesquisas e já tinha até escolhido com quem fazer, mas não gostamos do esquema quando chegamos ao cais para combinar a saída: muito grande (= muita gente) e o senhorzinho que colocaram lá para dar informações não falava uma palavra de inglês. Complicado.

Mas logo ao lado estava o Capitão Mike e o seu Panormos. Era um veleiro de 50 pés, bem conservado, que iria fazer justamente o roteiro que queríamos: percorrer a costa oeste da ilha até Kleftiko, lugar que me marcou quando o vi no Guia Grécia, na seção ‘lugares aonde só se chega de barco’.

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Partimos no meio da manhã e, para a nossa sorte, fazia um lindo sol que prometia ficar forte. E além de tudo a companhia era boa: além do Mike e da nossa dupla, mais três casais – dois de franceses e um de ingleses. Todos muito bacanas e educados, fora que o barco tinha espaço de sobra para todo mundo conviver civilizadamente.

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Começamos margeando a costa interna leste, passando pelas catacumbas. Já que não as vimos por terra, pelo menos de longe pudemos dar uma espiadinha.

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Logo em seguida vieram as vilas de pescadores que já tínhamos visitado no dia anterior. Fácil reconhecer Klima, a maior delas: parecia ainda mais linda com o sol que batia nas casinhas e deixava as portas e janelas com um colorido mais vivo.

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Quando se chega nesta ponta da ilha, é fácil reconhecer os Arkoudes (ursos), esculturas de pedras que se parecem com os tais.

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Para mim esse de baixo está mais para coelho :roll:

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É nesse momento que o barco vira totalmente a oeste e cruza a baía da ponta onde estávamos até a outra, chamada de Cabo Vani. Nessa região havia várias minas de exploração de manganês e ferro: é possível ainda ver vestígios das estruturas de transporte para os barcos.

Milos é uma das poucas ilhas nas Cíclades que não tem o turismo como fonte de renda predominante – a maior parte ainda vem da mineração, dada a sua estrutura geológica privilegiada. Isso se deve ao passado vulcânico da ilha e o seu formato em ‘U’ já indica essa origem, sendo o centro da baía de Milos a cratera deste vulcão (como em Santorini). A atividade vulcânica aqui, no entanto, é bem menor do que na vizinha famosa.

É possível encontrar um pouco de tudo por aqui…Além dos dois já citados, há muitos outros minérios dando sopa por toda a ilha: bentonita, caulim, pedra-pomes, barita, obsidiana, perlita e enxofre, como aqui nesta encosta. Hoje apenas alguns destes são explorados e a maioria da atividade é feita pela S&B, uma multinacional grega com um tentáculo aqui no Brasil. A maioria das minas atualmente está na costa leste de Milos.

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Um pouquinho mais de tempo velejando e chegamos à nossa primeira parada: a baía de Kalogries. Uma beleza de lugar, totalmente deserto (com exceção de algumas cabras no topo das falésias) e uma água totalmente convidativa.

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O sol ainda não estava muito forte e pensei duas vezes antes de cair na água. Mas…você conseguiria resistir a uma água assim? :?: Eu não.

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Se ainda tinha um pouco de Emília dormindo no meu corpo, esse restinho foi embora num segundo. Gente, tem coisa mais deliciosa do que nadar num lindo poço de cachoeira ou num mar cristalino como esse? Não tem banho de descarrego melhor :mrgreen:

Pena que o snorkeling não é nenhuma maravilha, como na maioria dos lugares em que estivemos no Mediterrâneo. Só alguns peixinhos, nada de focas-monge ou tarturugas cabeçudas, mas aí acho que também é pedir demais. De resto é tomar um solzinho para esquentar, comer umas bruschettas gregas e zarpar.

A paisagem é grandiosa, cheia de paredões brancos e aqui quem dá o ar da graça é ponto mais alto da ilha, Profeta Elias.

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Mais um bom trecho de mar tranqüilo e chegamos a mais uma parada, Sykia.

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Esta é uma das muitas cavernas da ilha, com a diferença que esta aqui teve o seu teto desabado. Nessa hora o Panormos já estava ancorado e seguimos num pequeno bote caverna adentro.

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Sykia é bacaninha, mas o motivo principal da parada fica pálido perto do ponto onde o barco se aconchega. Que lugar es-pe-ta-cu-lar. As fotos falam pelo ele…

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Eu poderia falar que todo o deslumbre era culpa do ouzo que já rolava solto pelo barco, mas a verdade é que o efeito dele já passou faz tempo e eu continuo de boca aberta até agora.

Mais um pouco de navegação e chegamos a um dos principais cartões postais de Milos: Kleftiko.

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Fica exatamente na ponta sudoeste da ilha e a tradução é algo como ‘esconderijo de ladrões’. Não saberia dizer se é lenda ou não, mas o que nos foi contado é que este era o local de escolha de piratas. Não é difícil de acreditar, com tantas cavernas dando sopa por ali.

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As formações de rocha branca são espetaculares e fazem um contraste lindíssimo com a vegetação e a água azul-turquesa.

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Mais uma vez aqui pegamos o bote para explorar os cantinhos e depois…água, claro. Não tenho palavras para descrever o prazer de nadar aqui. A água refrescante, o sol batendo no corpo… você olha para cima e vê toda a paisagem, que vai mudando conforme as braçadas. Brincar de nadar pelos túneis de pedra…

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(Ai, que vontade de estar de novo ali, naquele momento – suspiros…)

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A essa altura já estávamos com fome, apesar dos petiscos, e o capitão Mike assumiu o papel de chef, preparando uma salada típica da ilha, com pão crocante, tomate, ervas e queijo de cabra macio. Logo em seguida serviu um suculento espaguete com frutos do mar. Nada melhor depois que um tomar um solzinho na proa, naquela molezinha gostosa.

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Mas tudo tem um fim e  precisamos rumar de volta ao porto, curtindo a luz do final da tarde na água e observando os peixes voadores.

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Perto de Adamas estava o nosso próximo objetivo, Plaka, que parecia uma serpente branca descendo pela encosta…o pôr-do-sol prometia. Relutamos em sair do barco, ainda mais com o Mike, essa figura ultra gentil, tendo comprado loukoumades (sonhos com mel) para dividir conosco e trocar idéias…podia se ver que ele estava super contente e orgulhoso de mostrar tudo aquilo para nós, estrangeiros.

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E adivinhem o preço de tudo isso? A bagatela de 40 euros por pessoa…

Demos tchau e seguimos os oito (a essa altura já totalmente entrosados) para o Kástro…o sol descia rápido, mas ainda conseguimos chegar a tempo, mesmo com toda a subida a pé.

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As fotos não fazem justiça, mas posso dizer que esse foi o nosso mais bonito pôr-do-sol na Grécia. Ok, teve um em Santorini que perdeu por um nariz.

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Eu adoro um passeio de barco, mas esse realmente superou todas as nossas expectativas e foi eleito, sem dúvidas, um dos nossos passeios top 5 de toda a viagem. Um dia perfeito, do começo ao fim.

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