Último dia para curtir Atenas: ainda voltaria, mas apenas para dormir, antes de partir para as ilhas. Então…melhor aproveitar o restinho de tempo na cidade. E começando com o que via todos os dias da sacada do quarto e não me cansava: o Templo de Zeus Olímpico.

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Já estava tão íntima dele, todos os dias suspirando na varanda, até tomando banho conseguia vê-lo :-D  Aproveitei para conferir de pertinho com o superpasse que dá direito, por 12 euros, a visitar os sítios: Acrópolis, Ágoras antiga e romana, Teatro de Dionísio, o Templo de Zeus, Kerameikos e Biblioteca de Adriano (infelizmente não tive tempo para visitar estes dois últimos).

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Dedicado ao chefão dos deuses, o templo foi projetado para ser o maior já construído até então - o que combina muito com a posição de Zeus na hierarquia e com sua personalidade dominadora e geniosa (era cheio de fraquezas humanas também – ser mulherengo era uma especialidade desse personagem mitológico impagável). Originalmente existiam 104 colunas ao redor da cella, a área interna do templo. Hoje apenas 16 colunas restam, uma delas no chão, derrubada por uma tempestade no séc. XIX.

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Mesmo assim, dá para se ter uma idéia da sua monumentalidade antes da destruição por guerras e utilização do mármore para outras obras no decorrer da história: é só dar uma olhada na proporção do moço à esquerda, na foto abaixo.

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O projeto levou um tempo absurdo para ser construído, desde VI a.C. até o governo romano de Adriano, ou seja: uns sete séculos. A escolha do estilo para os capitéis foi o coríntio, o mais recente das ordens arquitetônicas gregas e a mais ornamentada também. Mesmo com tantas ameaças, os detalhes de folhas, flores e arabescos ainda estão lá.

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E além de tudo, o Templo de Zeus dá um charme especial em qualquer foto, seja da Acrópole, à direita abaixo, ou o hotel, na esquerda ;-)

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Como a próxima parada era em Kolonáki, resolvi evitar a movimentada avenida Vasilissis Amalias e cortar caminho pelo Jardim Nacional. Ufa, que alívio: acredito que não haja lugar mais tranqüilo e refrescante em Atenas, um total contraste com o cimento dominante e a falta de árvores no resto da cidade.

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Gente lendo, mães levando bebês para passear, o parque é um sossego só, um alívio do calorão e muito bonito dentro do seu estilo clássico. As crianças vão gostar dos bichos: essa aqui em especial gostou das tartarugas, para variar :roll: Saí do parque bem em frente ao próximo destino, o Museu Benaki.

O patriarca da cosmopolita família Benaki, Antonis, era um grande colecionador de arte, com foco nas artes grega e islâmica. Como morava em Alexandria, no Egito, ele doou a casa da família em Atenas para a formação do museu. Hoje existem várias outros edifícios, na cidade e fora dela, cada um ligado a uma coleção específica, sendo que a sede original abriga o acervo permanente de arte grega, indo da pré-história até o início do século passado.

Uma das áreas mais fabulosas do museu é a coleção de arte bizantina, com seus ícones maravilhosos. Vale também uma bela olhada nos tecidos da coleção de arte copta, assim como em uma área muito interessante que retrata os modos de vida nas diferentes regiões da Grécia. Os trajes originais, masculinos e femininos, são de babar. Sem falar nas jóias…

O museu ainda tem um café muito simpático no último andar, com uma bela vista do centro. Pena que é proibido tirar fotos, mas tive uma surpresa que foi entrar de graça, o que acontece todas as quintas.

Saindo do bonito prédio do Benaki, continuei pela avenida Vasilissis Sofias até o coração da cidade, a praça Syntagma. É ali que está o Parlamento, antiga residência dos reis gregos até 1924, quando a monarquia foi abolida (para voltar logo depois e ser abolida novamente em 1975).

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É ali também que fica o tradicional Túmulo do Soldado Desconhecido. Mas não é nem ele, nem o Parlamento que atraem as dezenas de turistas que ficam plantadinhos ali em frente: tudo isso é por causa da troca de guarda feita pelos evzones, essas fofuras de soldado que formam a guarda presidencial.

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Além de serem moços bonitos, eles vestem o que é, provavelmente, um dos uniformes mais exóticos já vistos: uma sainha branca pregueadíssima, meias brancas e sapatos vermelhos de pompons – esse da foto acima até que está com a versão mais discreta. O pessoal todo fica ali esperando a troca da guarda, que é feita de hora em hora e com uma marcha bem peculiar. Como sempre passei por ali fora do horário (e não queria ficar esperando ali no sol), acabei não presenciando o evento. Tem uma versão mais completa, com bandinha e evzones marchando pela avenida, que pode ser conferida por quem estiver na cidade em um domingo.

Preferi continuar e almoçar em Pláka, só para variar um pouco :mrgreen: Saindo da praça Syntagma, de costas para o Parlamento, o caminho natural é continuar pela Rua Ermou, super movimentada e cheia de lojas bacanas: ela marca o limite norte do bairro. Seguindo em direção a Monastiráki, uma surpresa, no meio da loucura: a igreja de Panagia Kapnikarea.

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Ela é uma das mais antigas de Atenas, do século XI – o que não é de se espantar, já que este é considerado o bairro mais antigo da cidade. Como muitas, estava fechada. Mas mesmo por fora ela é linda, com alguns mosaicos à vista.

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Entrando no bairro, chega-se à Plateia (praça) Mitropoleos, onde fica a catedral. É muito bonita (por dentro, já que o exterior é bem comum), mas o que realmente chama a atenção é esta pequena igrejinha ao lado, a Panagia Gorgoepikoos. Construída no séc. XII, ela tem lindos relevos em toda a sua volta.

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Você encontra essas belezinhas até nos lugares mais inesperados…

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Não é à toa que um trechinho do bairro, perto da Rua Nikis, é tomado por lojas de artigos eclesiásticos e ateliês de arte (neo)Bizantina. Por ali também tem uma loja da rede de livrarias Elefthouradkis, cheia de livros divinos sobre a Grécia, um pecado para quem tem grandes limitações de bagagem, como era o meu caso.

Mas, para quem quer fazer compras sérias, o melhor é seguir no sentido da área mais turística e central do bairro. Nesse trajeto é inevitável cruzar com a Rua Adrianou, uma das principais de Pláka - ela é cheia de restaurantes e lojinhas de suvenires e fica lotada dia e noite. Além dos itens kitsch onipresentes, chamam a atenção as joalherias e lojas de sandálias de couro. Para mim, mais que um lugar de compras, a Adrianou era um lugar conhecido num emaranhado de ruas. Chegar à Adrianou era estar perto de ‘casa’…não que fosse ruim se perder por ali ;-)  

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Entre a Adrianou e a colina da Acrópole fica um verdadeiro labirinto, para mim o lugar mais simpático do bairro, com mil restaurantes e bares, com mesas nas escadarias ao ar livre, e mais igrejas (de novo!). Depois de matar a fome com um gigantesco gyros, o famoso churrasquinho grego, era hora de voltar para o hotel para pegar as malas e o carro para seguir para o interior…

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