Atenas – Αθηνα: reconhecimento de terreno

Primeiro dia em Atenas. Cansados de tantos deslocamentos, preferimos aproveitar o nosso confortável hotel para dormir até mais tarde e tomar um lento café-da-manhã. Queríamos também estar bem preparados para enfrentar a cidade. Não queria ser negativa, mas nunca tinha ouvido maravilhas sobre Atenas: alguns diziam que a cidade era suja e desorganizada, outros que era quente demais, ou então que era um lugar para bater cartão por um ou dois dias e seguir para as ilhas.
Para começar, levamos um tempão para decidir sobre o hotel: que difícil! Pelas fotos os hotéis não eram muito empolgantes, a não ser os carésimos. Fora que a dondoca aqui queria porque queria ter vista para a Acrópole
Até que o grande Grécio, digo, Décio, provavelmente o homem que mais conhece do país por aqui (e autor do indispensável Guia Grécia), indicou o Athens Gate.
Gostamos do hotel à primeira vista: novinho e muito bem localizado, do lado do metrô, de Pláka e da Praça Syntagma. E, além da super vista para o Templo de Zeus e Monte Lycabettus do nosso quarto, poderíamos admirar a Acrópole tomando o café ![]()
Saímos então para constatar a loucura do trânsito e a dificuldade de se encontrar taxistas…nenhum vazio parou para nós. E a decisão de seguir a pé foi confirmada quando um deles, ao invés de usar o simples desprezo, começou a gritar e a gesticular, bravo. Ok, ok…você venceu, voltamos ao metrô. Que sempre se revelou a melhor opção de deslocamento, além dos nossos pares de pernas: como pode ser visto pelo mapa abaixo, as distâncias entre os principais pontos turísticos não é grande.

(mapa de www.aathitya.in, mas eu acho que eles pegaram do site antigo do Lonely Planet).
A recompensa chegou logo: a primeira surpresa vêm da exposição de escavações arqueológicas encontradas no processo de expansão do metrô, que foi atrasado por muito tempo por conta dessas e outras.

Aparentemente esses obstáculos foram resolvidos a tempo das Olimpíadas de 2004 (esperamos que da maneira correta…): quase não acreditamos na comparação do sistema atual com o antigo. Não deveria ser de uma super ajuda ao turista, como é hoje.
A exposição continua dentro da estação central Syntagma, com objetos de cerâmica e metal, mosaicos e um corte no solo revelando os resquícios das diferentes épocas de ocupação.

Nas plataformas de embarque, réplicas dos famosos mármores de Elgin…


… e já dentro do vagão, uma simpática voz que anunciava a cada parada: ‘Epomeni stasi…‘
(Para mim só perde para a voz forte do metrô de Barcelona: ‘Próxima estació: Cataluuuuña‘
) Nem todas as linhas são novas assim, mas posso dizer que o metrô de Atenas entrou com louvor para o meu histórico de apreciação de metrôs
Seguimos até a estação Victoria e mais uma caminhada de 15 minutinhos até o Museu Arqueológico Nacional, a atração principal do nosso dia.

O museu foi criado no final do século XIX para abrigar as principais descobertas arqueológicas do país, incluindo sítios como Micenas, Thira (Santorini), Delfos e muitos outros. É um dos grandes museus do mundo, abrangendo desde arte pré-histórica até peças dos primeiros séculos da era cristã.

É enorme, portanto é melhor selecionar de acordo com os seus pontos principais de interesse. Para nós, uma das coleções mais fantásticas é a de arte pré-histórica, logo na primeira sala, que inclui uma ala só de figuras cicládicas, como essa abaixo: não é surpreendente constatar como a arte primitiva pode ser moderna? É só ver a obra deste moço aqui e deste aqui também.

Seguindo no tempo, é também aqui que se encontram os achados da civilização micênica, como o afresco ‘A Dama de Micenas’, no topo do post, e peças diversas em ouro, como máscaras funerárias. A principal delas é essa no centro da foto abaixo, conhecida como ‘Máscara de Agamemnon’.

Os lindíssimos kouroi…


(Gente, esse é um blog de família, mas não resisti à foto da direita
)
Outros destaques são as esculturas de bronze, como esse magnífico Posêidon…

…ou o Jóquei de Artemision, encontrado no mesmo local que a estátua acima.

Ainda merecem destaque, entre as esculturas em mármore, esse Minotauro abaixo, além da enorme coleção de vasos no andar superior. Neste ao lado se pode ver Hércules, com sua pele do leão de Neméia, em alguma de suas aventuras…


Mas uma das peças mais divertidas é essa escultura representando Afrodite, com a ajuda do seu filho Eros, repelindo as investidas de um fauno abusado com o chinelo (!) que acabou de tirar do pé

Há um bocado de outras coisas interessantíssimas, como o mecanismo de Antikythera, inventada para realizar cálculos astronômicos, mas se você quiser fazer uma pausa, há uma loja muito simpática e um restaurante à beira do jardim. Um lugar delicioso, onde até uma tortuguita o meu querido achou para essa turtle lover aqui…


Mas os planos para almoço eram outros….descemos em direção à praça Omonia - ponto agitado da cidade -, passamos pelo Mercado Central e viramos à direita em direção a Psiri.

Este é um bairro boêmio, cheio de tavernas tradicionais e barzinhos da moda. Queríamos ter nossa primeira refeição numa boa taverna e decidimos testar uma dica comendo na Nikitas. Já era tarde e mesmo assim havia muitos locais comendo, o que referendava o local. Nos fartamos com tomates e pimentões recheados, souvlákis e algumas outras coisinhas. Foi ali que experimentamos a onipresente Mythos, que caiu muito bem no calorzão…e também onde entramos em contato com essa coisa maravilhosa que é o tzatziki. Essa virou nossa entradinha preferida, presente em quase todas as nossas refeições na Grécia, acompanhando sempre pães deliciosos…Aliás, pães responsáveis por uma boa parte do excesso de peso corporal trazido de volta ao Brasil


A cenografia não podia ser melhor: ruas para pedestres cheias de mesinhas, casarões antigos, igrejinhas ortodoxas em todos os cantos. Quem não adoraria ter um lugar assim sempre à mão, charmoso e cheio de história, onde se possa beber uma cervejinha com amigos numa noite quente?

Reunimos toda a nossa força de vontade para sair de Psiri e continuar nossa volta de reconhecimento, que incluía também uma tentativa de se familiarizar com a língua grega…pude ter a oportunidade de, nesse primeiro dia, colocar em prática os estudos do alfabeto grego, iniciados no vôo até Atenas
Mas a transcrição começou de maneira bem leeenta…

Uma leve caminhada e estamos em Monastiraki, uma super área comercial onde se encontra de tudo: jóias, falsificações, souvenirs, sandálias de couro, roupas, restaurantes…para os que gostam de comprinhas é uma tentação! Até uma espécie de 25 de março você encontra lá, o mercado de pulgas.


É ali, no limite entre Monastiraki e Pláka, que estão alguns dos sítios arqueológicos mais interessantes, como a Ágora Antiga e a Ágora Romana. Mas só iríamos visitá-los no dia seguinte…por hoje, só queríamos ainda sentir um pouco gostinho de Pláka, o bairro mais famoso e turístico de Atenas. Gostamos do que vimos à tarde e decidimos voltar para jantar.

E que decisão acertada! Pláka é um dos bairros mais deliciosos em que já estive e é ainda mais especial à noite, quando todos saem para jantar e em cada bequinho se encontra uma taverna, música, escadinhas com flores, igrejinhas ortodoxas…

Acabamos parando na Palia Taverna tou Psara, numa mesa ao ar livre, onde comi uma lula grelhada recheada com queijo e pimentões. Uma maravilha, realçada ainda mais pelo ambiente, pela felicidade de estar ali, naquele exato momento.
Voltamos para o hotel na sombra da Acrópole iluminada…











