Feliz aniversário, envelhece a cidade…

Minha viagem para aproveitar o feriado do aniversário de São Paulo (25/1) acabou não dando certo e acordamos numa sexta nublada sem planos. Festa bacana, tempo esquisito…o que fazer? Ficar em casa organizando, limpando, catalogando? Hmmm…não.

E aí um estalo: serra da Cantareira, por que não? Durante a maior parte da minha vida fui uma moradora da Zona Norte, mas uma de meia-tigela…conhecia o Horto, ia muito quando pequena, mas nunca tinha visitado um dos núcleos do Parque Estadual. É aquela coisa: é pertinho, dá para ir em qualquer final de semana…mas nunca ia.

Preparamos nosso lanchinho de trilha e seguimos para o núcleo Engordador. O Parque Estadual da Serra da Cantareira, considerada a maior floresta urbana nativa do mundo, é Reserva da Biosfera pela Unesco, tendo a maior parte da sua área dentro do município de São Paulo.

Ele possui quatro núcleos de visitação: Pedra Grande, Engordador, Águas Claras e Cabuçu (este último ainda não aberto ao público). O Pedra Grande é o mais famoso, sendo que a pedra que dá nome ao núcleo é um ponto de observação fabuloso da cidade de São Paulo. Como o tempo não era dos melhores, achamos melhor visitá-lo num dia de sol para aproveitar bem a visão.

Cerca de uma hora depois, saindo da região central da cidade, chegamos no núcleo Engordador. Ele tem este nome porque, na época colonial, a região era ponto de parada do gado que vinha do interior, engordando antes de ser vendido na capital. A primeira visão é de um grande jardim, um riozinho correndo por ele, flores, um sossego só.

Bem na entrada fica também a Casa das Bombas, construção do final do século XIX, que bombeava a água da serra para o reservatório e dele para a cidade. O imóvel e as máquinas, como a caldeira e a bomba a vapor, estão em bom estado de conservação.

Um pouco a frente, antes da entrada para a trilha das Cachoeiras, fica a represa. Uma bela visão. 

No Engordador existem três trilhas: uma menor, a Trilha do Macuco (com cerca de 600m de percurso), a Trilha para Mountain Bike e a Trilha das Cachoeiras, com cerca de 3 km. Foi essa última a escolhida para o nosso passeio.

A paisagem é típica de mata atlântica, muitas samambaias, cipós, caetés…é uma trilha muito fácil, praticamente sem subidas, que em certo ponto se torna circular. O interessante é que, como o próprio nome diz, podemos cruzar com 3 cachoeiras no caminho. Em dias de calor, devem dar um belo banho, mas não era o caso naquele dia.

Foi uma bela manhã…pois é, a cidade continua surpreendendo, mesmo com 454 aninhos ;-)

E os outros núcleos que nos aguardem!

O núcleo Engordador fica à beira da Fernão Dias, na Avenida Sezefredo Fagundes, nº 19.100 e a entrada custa R$ 2,00. O núcleo só abre de finais de semana e feriados, fechando em dias de chuva.

Serra da Canastra: Páginas Amarelas

Para quem quiser se aventurar na Serra da Canastra, aí vão os nossos passos…

Época – O período mais seco do ano, segundo e terceiro trimestres, são os mais indicados para visitar a região. A chuva, além de atrapalhar um pouco os passeios, também pode deixar intransitáveis as estradas de terra que dão acesso aos pontos mais bacanas (que já são normalmente mais adequadas a um jipe).

Indo em outubro, estávamos no limite da estação seca. Nós chegamos na quinta à tarde com chuvinha…que foi embora assim que chegamos na pousada e almoçamos. Até tomamos banho de rio nesse dia, com direito a um lindo pôr-do-sol. No dia seguinte, o dia foi praticamente todo nublado, com um certo frio de manhã e no sábado e domingo tivemos muito sol.

Transporte – O trajeto de carro de São Paulo até as bases da Serra não é muito fácil de descrever, melhor um mapinha.

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(mapa do site da Fazendinha da Canastra)

As estradas são duplicadas e têm bom asfalto até a divisa: a partir desse momento é melhor prestar ainda mais atenção pois os buracos são constantes e a pista é de mão-dupla. No entanto, a paisagem muda assim que se entra em Minas e fica difícil saber se você tem que prestar atenção na estrada ou nos campos verdinhos (estrada! estrada!).

O trecho a partir de São Sebastião do Paraíso não é tão interessante, mas depois de Passos a represa de Furnas dá as caras e volta a dividir a atenção com o asfalto. Em Piumhi temos que sair da estrada principal (que leva a BH) e entrar em secundárias que levam à Vargem Bonita e São Roque de Minas, dois pontos de hospedagem principais.

Passeios – Dentro do parque e nas estradas ao redor, a predominância é de estradas de terra: quem tem jipes se desloca mais facilmente. Se tiver a ajuda de bons mapas e indicações do pessoal da região, não vai precisar de guias para os passeios mais conhecidos. Isso porém não vale muito para a Babilônia, que não possui placas indicativas.

Como nós não tínhamos um jipe para chamar de nosso, contratamos o Vicente, o dono da Fazendinha (ver abaixo em Pousada). Ele possui uma Toyota e faz passeios pelo parque, como guia e motorista.

Além do passeio que fizemos, foi bastante recomendada a caminhada até o Poço das Orquídeas, além das visitas às Cachoeiras do Vento e do Fundão. Uma visitante do blog, a Bia, recomendou, nos comentários deste post, uma visita ao outro lado da Serra, mais próximo de São João Batista da Glória, especialmente para visitar o Paraíso Perdido e também ir até Capitólio, para os passeios na chalana, nos cânions da represa.

Fiquem também de olho no blog da Meilin e suas aventuras na Canastra neste Carnaval.

Pousada – Ficamos na Fazendinha da Canastra, uma pousada rural a uns 6km de Vargem Bonita, no sentido da parte baixa do Parque Nacional. O Vicente e sua esposa, a Silmar, criaram vários chalezinhos básicos e simpáticos na área da antiga fazenda da família dela. A estrutura principal tem cerca de 80 anos e foi restaurada por eles para funcionar como cozinha, restaurante e área social.

O casal é extremamente hospitaleiro e bom papo… A pousada tem o estilo tradicional mineiro, ótima para quem quer ter uma experiência rural. Se você conseguir acordar (muito) cedo, até tirar leite é possível, já que o curral está nos fundos da propriedade. 

A outra possibilidade, ao invés de ficar nos arredores de Vargem Bonita, é se hospedar em São Roque de Minas, a maior cidade das que servem como base para o parque. Uma pousada recomendada por quem já se hospedou é a Barcelos.

Comer – A hospedagem na Fazendinha era de meia pensão e tudo era maravilhoso e calórico como só a comida mineira consegue ser…sorte que caminhamos bastante, porque não conseguíamos parar de comer: torresmo, tutu de feijão, porco na lata…

O café da manhã não ficava atrás: o fogão a lenha fica aceso para derreter queijos e as broinhas, pães de queijo e etc. são todos produzidos lá.

Para almoço, a melhor coisa a se fazer é pedir um lanche de trilha para eles no dia anterior: dois lanches, duas frutas, refrigerante e água.

Compras – A melhor coisa que você pode comprar na Canastra são os famosos queijos…Canastra. São deliciosos, especialmente derretidos, formando aquela casquinha crocante…os meus acabaram num piscar de olhos.